Área de ''Carlos Júnior'' vale R$ 36,2 mil
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quinta-feira, 31 de maio de 2001
De Londrina 
Uma avaliação realizada pelo imobiliarista Raul Fulgêncio revela que o terreno de 302 metros quadrados, vendido pela Prefeitura de Londrina para Cassimiro Zavierucha, o Carlos Júnior, vale atualmente R$ 36.240, mais de três vezes o valor recebido pela prefeitura em fevereiro de 92, quando foi realizada a transação. Carlos Júnior é apontado como tesoureiro das campanhas do ex-prefeito (cassado) Antonio Belinati (sem partido), que na época estava em seu segundo mandato na prefeitura.
Com base nas informações fornecidas pela Folha, Fulgêncio calculou em R$ 120 o metro quadrado do imóvel. O valor total apontado pelo imobiliarista é equivalente a de 201 salários mínimos. Em 92, a prefeitura vendeu o imóvel para o empresário por Cr$ 6.342.420,00 (em cruzeiros). O valor, atualizado pelo IGP-M da Fundação Getúlio Vargas, representa R$ 11,4 mil. Na época, isso equivalia a 66 salários mínimos.
O terreno adquirido por Carlos Júnior é uma viela entre as ruas Michigan e Nevada. O negócio está sendo investigado pelo Ministério Público (MP) de Londrina, que requisitou documentos à prefeitura sobre a transação.
Carlos Júnior é réu em quatro ações criminais propostas pelo MP de Londrina, que investiga desvios de recursos públicos na administração de Belinati. No início de maio, o tesoureiro teve a prisão preventiva decretada pelo juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas após a análise da primeira denúncia criminal apresentada pelo MP. Sua prisão foi revogada liminarmente por decisão do Tribunal de Justiça (TJ), que também livrou Belinati (que ficou seis dias preso) e outros cinco acusados da prisão. Ontem, a reportagem novamente não localizou o empresário.
Para vender o imóvel, Belinati encaminhou um projeto à Câmara em outubro de 91, autorizando o município a alienar a área a proprietários lindeiros (com imóveis em frente ao terreno). Carlos Júnior já possuía um terreno em frente à viela. Cinco meses antes, o empresário havia comprado outro imóvel vizinho a esse terreno, pertencente ao ex-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan que também teve a prisão preventiva decretada na primeira ação criminal proposta pelo MP e ficou em prisão domiciliar durante seis dias. Assim, Carlos Júnior tornou-se um proprietário lindeiro.
A área de 302 metros quadrados no Jardim Quebec foi colocado em indisponibilidade pelo juiz da 6ª Vara Cível, Celso Saito, em uma medida cautelar contra Belinati e outros acusados de envolvimento com o escândalo de desvios de recursos públicos da Prefeitura de Londrina. (L.R.)


