Arcebispo veta participação de padres na política nacional
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domingo, 02 de março de 2008
Miguel Portela<br> Agência Estado 
Cascavel - A participação de padres na política nacional é um tema que ainda desperta polêmica. Em Cascavel, cidade do oeste paranaense, o arcebispo da diocese local, dom Mauro Aparecido dos Santos, decidiu colocar um ponto final nesse assunto. Ele decretou a proibição de filiação partidária e a participação de religiosos em equipes de governos federal, estadual e municipal. A medida entre em vigor a partir de 1º de abril.
O documento publicado recentemente é uma determinação para todos os presbíteros e diáconos que atuam na diocese de Cascavel, que reúne 17 municípios com 30 paróquias. Dom Mauro, que assumiu a diocese local há um mês, disse que a medida não é nenhuma novidade, ''uma vez que ela já vem sendo implementada pela Igreja Católica''.
A determinação estabelece, além da proibição de filiação partidária e participação na administração pública, outros itens que devem ser seguidos. Um deles estabelece que o religioso que se filiar a qualquer partido político, ou ingressar em equipe de trabalho governamental, fica suspenso de suas funções sacerdotais, sem direito a pagamento de benefícios, moradia, carro, telefone, plano de saúde e contribuição previdenciária.
O padre que for suspenso por este decreto e desejar retornar a sua atividade, deverá participar de um ''retiro'' de trinta dias seguidos, fazer o curso por correspondência da Escola Mater Ecclesiae do Rio de Janeiro, nas disciplinas Código de Direito Canônico, História da Igreja, Espiritualidade e Escatologia.
O decreto informa ainda que não poderá ser admitido se tiver contra ele processo judicial para ser julgado ou pena para cumprir e estiver endividado financeiramente. Após cumprir todas as exigências estabelecidas, para ser readmitido, deverá fazer um pedido, por escrito, ao arcebispo metropolitano que, após analisar os documentos apresentados, poderá revogar a suspensão da ordem.
A diocese não soube informar se há algum padre filiado ou exercendo função pública na região de Cascavel. Dom Mauro justifica que a medida visa preservar o trabalho eclesial dos religiosos. Ele frisa que a questão política é importante, ''mas a atividade deve ser exercida por pessoas fora da Igreja. ''Vamos incentivar os leigos a participar da vida política das cidades. A diocese fará um trabalho de orientação nas eleições municipais deste ano''.
A idéia, segundo o arcebispo, é publicar três cartas pastorais, informando desde o perfil dos candidatos até os pontos que o eleitor deve avaliar no processo de escolha de seu candidato a prefeito ou vereador. ''O primeiro ponto que vamos tratar é a honestidade do candidato. Assim como a ética na política'', destaca dom Mauro.
De acordo com ele, a Igreja recomendará apoio aos candidatos que defendem a vida. ''Quem for a favor do aborto, por exemplo, vamos recomendar o voto contrário dos católicos''.


