Utilizar a missa para divulgar candidaturas de políticos ou defender nomes ou siglas enquanto movimento da Igreja Católica é atitude reprovada pelo arcebispo de Londrina, dom Albano Cavalin. Na edição de domingo da Folha, o vice-tesoureiro do Conselho de Leigos, Miguel Ramos, declarou que o Conselho está se movimentando para apoiar 10 candidatos católicos, entre os 311 que disputam uma das 18 vagas para vereador nas eleições de outubro. Os candidatos seriam escolhidos pelos próprios católicos em eleição extra-oficial nas paróquias.
''A Igreja de Londrina, porque é mãe espiritual de todos os seus filhos, não define nessa matéria, que é livre deste ou daquele candidato. Grupos de leigos, não usando nome oficial de Igreja, podem ter suas preferências'', definiu dom Albano. Ele informou que, na manhã de ontem, o tema foi debatido e o consenso é de que o laicato (organização oficial dos leigos) organizado não deve fazer campanha política. ''Que eles usem outro nome, como leigos entusiasmados, ou o que preferirem'', sugeriu o arcebispo.
Dom Albano frisou que respeita a liberdade de escolha política de cada leigo. ''Quero respeitar a liberdade de escolha política, mas não comprometer toda a Igreja. Eu já soube que outras paróquias estão fazendo as suas reuniões, não aceitando essa colocação (do apoio do Conselho de Leigos)''. A intenção do Conselho de arrecadar 10% do salário dos candidatos eleitos também não foi vista com bons olhos pelo arcebispo. Ele disse que os integrantes do conselho seriam avisados para não utilizar o nome do movimento de leigos com esta intenção.
O membro do Conselho, Miguel Ramos (que é filiado ao PHS) ponderou que as missas não serão utilizadas para divulgar nomes dos candidatos. Ele detalhou que há mais de 50 candidatos ligados à Igreja Católica e, destes, serão escolhidos 10 em eleição interna. O objetivo é concentrar os votos em 3 de outubro, aumentando a chance de eleger os candidatos católicos. ''Sei que a Igreja enquanto entidade não pode apoiar candidatos'', comentou.
Entretanto, Ramos disse que pretende utilizar encontros de jovens, reuniões de pastorais e de outros movimentos católicos para divulgar os nomes dos pleiteantes escolhidos. ''Se dom Albano concordar, queremos levar os candidatos nas reuniões dos grupos e pastorais para exporem suas idéias'', afirmou. Ele descreveu também que quer a colaboração da Igreja para a cessão de um local para a realização da eleição interna e das reuniões do grupo. Nova reunião está agendada para sexta-feira, às 19h30, no Centro Pastoral.
Sobre a intenção de pedir a doação de 10% dos rendimentos dos vereadores eleitos que forem apoiados pelo movimento, Ramos justificou que eles pretendem fazer um jornalzinho para distribuir nas paróquias sobre as ações de todos os vereadores. ''Isso tem custo'', justificou. Ele disse ainda que não existe formação política entre os leigos, fato que o Conselho pretende mudar. ''Queremos fundar uma escola de Fé e Política também com o dinheiro das doações''.
Ramos comentou que, se a doação gerar brigas, a quantia pode ser diminuída ou até excluída. Em princípio, apenas candidatos leigos seriam apoiados pelo Conselho. ''O conselho é de leigos mas, se a maioria optar por incluir candidatos padres, podemos mudar'', sintetizou.
O processo defendido pelo Conselho de Leigos, por enquanto, exclui apoio à candidatura do Padre Manuel Joaquim (PPS), que está licenciado do cargo. Exclui ainda os candidatos católicos que concorrem à reeleição na Câmara de Vereadores.

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