Arcebispo
defendeu presos
políticos
Maringá
O livro ‘‘Dom Hélder Câmara - Entre o Poder e a Profecia’’ mostra que, embora o arcebispo do Recife e Olinda se conciliasse com os militares então no poder, ‘‘ele não abria mão de defender os presos políticos’’, disse o professor Walter Praxedes, um dos autores da obra. ‘‘A ponte entre Dom Hélder e Castelo Branco foi feita pelo poeta Augusto Frederico Schimidt, amigo íntimo de ambos’’, revelou o autor.
Já nos anos 50, diz Praxedes, Dom Helder defendia que a Igreja Católica deveria atuar em educação popular. ‘‘O próprio Paulo Freire reconheceu a importância de Dom Hélder nesta área.’’
Praxedes revela também que Dom Hélder, no início, era integralista. ‘‘Sua transição para um pensamento mais democrático e realista teve início logo depois da Segunda Guerra’’.
Praxedes conta que, no início dos anos 50, Dom Helder já articulava a criação da Confederação Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB), com a intenção de ‘‘unir a ação católica, colocando os leigos para fazer o trabalho dos poucos padres’’. Praxedes lembra uma passagem da vida do padre: ‘‘Foi em 1967, no Recife. Ele estava num palanque durante comício eleitoral junto com militares, quando viu um velho de cabeça branca entre a multidão. Para espanto de todos, Dom Hélder desceu do palanque e foi cumprimentar o velhinho. Era o Gregório Bezerra (militante comunista), a quem havia ajudado a sair da prisão’’.
O professor da UEM conta ainda que o religioso começou a ficar conhecido a partir de 1962, atuando de forma significativa nos bastidores do Concílio Vaticano Segundo, propondo reformas que acabaram se concretizando, como o fim da missa em latim. A partir de 64, Dom Hélder fez palestras em todo o mundo, combatendo a fome e a miséria.
(Márccio Varella)

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