Trinta anos de Câmara de Vereadores e a pretensão de conquistar mais uma vitória nas urnas para ficar mais quatro anos na Casa. Renato Silvestre Araújo (PP), 64 anos, afirma que vai em busca do seu oitavo mandato em Londrina, mas que este deve ser seu último pleito. Tantos anos no Legistativo deram a Araújo conhecimento e artimanha para trabalhar com projetos e lidar com os trâmites da Casa. Sempre alinhado à direita, o vereador participou de fortes embates políticos e ideológicos na Câmara, especialmente no episódio de cassação do ex-prefeito Antonio Belinati.
Entre as possíveis explicações para se manter três décadas na Casa está o fato de Araújo centralizar seu trabalho na zona rural, especificamente nos distritos. Ele próprio afirma que na apuração das urnas desses locais seu nome figura entre os favoritos. Há que se levar em consideração ainda a ausência do surgimento de novas lideranças, o que fatalmente leva alguns vereadores a conquistar vários mandatos.
Carlos Kita figurou entre os vereadores na Câmara por cinco mandatos consecutivos. Outros quatro vereadores permaneceram na Casa por quatro legislaturas. Mas, nas 13 legislaturas que a Câmara teve até hoje, Araújo é absoluto em tempo de casa.
As últimas eleições foram um desafio na opinião do vereador, eleito com 3.530 votos. ''Eu disputei como segundo colocado porque o Antenor Ribeiro era o primeiro do partido. No fim foi uma surpresa porque eu ganhei e ele não entrou'', conta.
Araújo é visto como o vereador que mais conhece os trâmites e regras da Câmara. É comum vê-lo atendendo os colegas para informações ou orientações sobre a tramitação de projetos de lei. A deputada estadual Elza Correia (PMDB) travou vários debates políticos com Araújo mas reconhece que ''ele conhece muito bem o funcionamento da Casa e é bem receptivo com os vereadores''.
A posição sempre de direita de Araújo foi motivo de polêmicas ideológicas. Ele começou sua vida política na Arena, que mudou a sigla para PSD e hoje abriga o PP. O jornalista Délio César (eleito pelo MDB) participou do primeiro mandato de Araújo, entre 1969 e 1973. César lembra que a época era de muita efervescência política e estudantil. O país estava vivendo a ditadura e o MDB abrigou todas as correntes de oposição ao regime. Como estavam em partidos de posições contrárias, houve espaço para muitas discussões. ''Tivemos brigas homéricas porque éramos jovens, agitados e o Renato tinha posições bem direitistas'', afirma.
Elza Correia foi eleita em 1997 pelo PCdoB e em 2001 pelo PMDB, mas saiu na metade do mandato para se candidatar a deputada. Como vereadora, atuava contra a administração do ex-prefeito Belinati e Araújo era do bloco de sustentação, o que acirrou as diferenças políticas. ''Tivemos divergências mais calorosas num primeiro momento. Mas depois fomos aprendendo a conviver um com o outro'', relata. Tercílio Turini (PSDB) conviveu com Araújo nos últimos três mandatos. ''Vejo que ele é um apaixonado pela Câmara. Ele gosta de ser vereador''.
Tamarana á Nascido e criado em Tamarana (62 km ao Sul de Londrina), Renato Araújo (PP) foi eleito vereador pela primeira vez em 1968, aos 23 anos, com 1.853 votos, terceiro mais votado na ocasião. Seu anseio era melhorar a vida no então distrito de Londrina. ''Lá não tinha estrutura nenhuma e comecei a trabalhar em cima disso.''
Nos 30 anos como vereador, Araújo teve a oportunidade de ser presidente da Câmara por duas vezes e ocupar o cargo de prefeito por 20 dias, durante o mandato do ex-prefeito Antônio Belinati. Ele afirma que não sofreu frustrações como vereador mas gostaria que o cargo tivesse mais poder. ''Vereador não tem competência para decidir. Precisa esperar isso do prefeito''. Araújo também diz que as câmaras perderam a finalidade. ''Os discursos são pessoais e não coletivos'', observa.

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