O vereador afastado Renato Araújo (PP) afirmou ontem que concorrerá nas eleições de outubro caso seja inocentado pela Justiça das acusações de concussão, formação de quadrilha e improbidade administratitva feitas contra ele pelo Ministério Público. Em janeiro e fevereiro, Araújo e a dupla Orlando Bonilha (PR) e Henrique Barros (ex-PMDB), que acabou renunciando aos mandatos, mais Osvaldo Bergamin (PMDB) e Flávio Vedoato (PSC) foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por supostamente cobrarem propina de empresários.
Apesar de afastado, o pepista disse não ver problema em visitar a Câmara - ontem foi ontem à tarde - ''para tomar um café e visitar uns amigos''. Em rápida entrevista à imprensa, ele negou que utilizaria a estrutura do gabinete, cedida agora ao suplente Fernando Nicolau (PP). Também não refutou a possibilidade de depor a favor de Bonilha, cuja defesa o arrolou como uma das cinco testemunhas. Mesmo assim, amenizou: ''Não sei se essa comissão tem objeto com a renúncia dele, mas, se for chamado a depor, repetirei as mesmas palavras desde o primeiro depoimento ao MP: não estive em reunião alguma na Câmara onde estivessem os demais vereadores (citados na denúncia) e na qual o Henrique tivesse entregue um envelope (com R$ 12 mil, a Bonilha, supostamente para serem repartidos entre o grupo)''.
O decano da Câmara atribuiu o ''uso do nome'' dele, nas denúncias, ao fato de ser ele o mais antigo da Casa. Por outro lado, garantiu que a mesma condição imposta por si para concorrer ao pleito é a que vale para a eventualidade de renunciar ao oitavo mandato. ''Se eu for julgado culpado, renunciarei. Mas tenho certeza que não provar nada contra mim e vou colocar meu nome, sim, à disputa.''
A respeito de outro inquérito que corre no Gaeco contra ele e outros vereadores - e que apura se houve cobrança de propina contra o empresário Marcelo Caldarelli para doação de um terreno, em dezembro de 2005 -, Araújo declarou que só se manifestará perante a Justiça. O que ele acha da crise instalada na Câmara? ''Sinceramente, era até necessário que tudo isso acontecesse, para dar mais responsabilidade ao Poder Legislativo como um todo. Mas a Câmara tem legitimidade para reverter esse quadro e sem achar boi de piranha ou qualquer outro título que vocês queiram dar para difamar o Legislativo.'' (J.G.)

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