Menos de dois meses após denunciar cinco vereadores de Londrina pelos crimes de concussão e formação de quadrilha, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investiga agora se as mesmas práticas teriam novamente sido adotadas contra um empresário que recebeu um terreno nas últimas sessões legislativas de 2005. O inquérito presidido pelo delegado Alan Flore teve ontem o depoimento do vereador Renato Araújo (PP), que - na condição de investigado, segundo o Gaeco - se recusou a fornecer material para realização de exame grafotécnico que comprovasse, ou não, ser dele a letra em uma lista com os nomes de nove parlamentares londrinenses. No documento, com números à frente dos nomes, sete dos vereadores listados aprovaram a urgência na doação de uma área de 3.228 metros quadrados às margens do Lago Igapó 1. À época, o lote fora doado ao empresário Ângelo Marcelo Caldarelli no projeto assinado por Araújo e Osvaldo Bergamin (PMDB), medida que foi revertida pela Justiça face à inconstitucionalidade da lei gerada.
Além do decano da Câmara, outro que seria ouvido ontem no inquérito, mas na condição de testemunha, seria o ex-presidente da Casa Célio Guergoletto, apontado nas investigações como a pessoa que teria apresentado Caldarelli a Araújo antes da confecção da matéria. Contudo, o advogado do ex-vereador, Antonio Amaral, comunicou o delegado, por telefone, que nem ele nem o cliente compareceriam em função de compromissos profissionais do advogado. Novo depoimento deve ser agendado.
Já Araújo, à tarde, negou o que afirmara a veículos de comunicação da cidade, na semana passada, quando admitiu a autoria da lista, mas como forma de elencar votos favoráveis ao projeto - foram 17, na realidade - e sem a presença de números. Ontem, rapidamente, refutou: ''Só vou falar em juízo, não vi lista nenhuma''. O advogado dele, Fernando Bonberg, preferiu dar detalhes da estratégia de defesa ''só depois de ter acesso aos autos''.
Se após o depoimento o advogado negou que o cliente faria o exame grafotécnico, a posição foi revista pouco depois da coletiva de imprensa com o delegado - ocasião, aliás, em que Flore arguira não ser descartada a coleta de material ''à revelia'' do investigado. ''Ele não se recusou a dar as informações, inclusive deve fazer esse exame grafotécnico exigido. A preocupação era apenas ter direito de acesso aos autos'', defendeu.
O delegado não quis detalhar se o nomes da lista de posse do MP, ainda não comprovadamente autêntica, serão os mesmos intimados a depor nos próximos dias. Mesmo assim, Flore antecipou que outros vereadores estão sob investigação no inquérito que, de acordo com ele, tem desde depoimentos de Caldarelli a outros documentos que reforçam os ''indícios fortes'' de supostas novas cobranças de propina.
''A lista na verdade é só um documento ligado ao fato investigado, mas outros elementos e as próximas oitivas certamente esclarecerão o que de fato ocorreu'', declarou o delegado, sem citar valores supostamente extorquidos de Caldarelli ''para não prejudicar os próximos depoimentos''. A FOLHA apurou, contudo, que a soma pode ultrapassar os R$ 30 mil.

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