Parlamentar em Londrina há oito mandatos, mas afastado do posto pela Justiça desde março passado, o vereador Renato Araújo (PP) afirmou ontem que ‘‘nunca teve mesmo’’ pagamento de um ‘‘mensalinho’’ aos colegas por parte da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). O suposto esquema de corrupção fora delatado pelo ex-vereador Orlando Bonilha (sem partido), em junho passado, situação em que ele elencara outros 10 nomes da atual e um nome da legislatura passada. A negativa de Araújo foi registrada no depoimento que ele prestou de manhã ao delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore.
  Segundo as acusações de Bonilha, a TCGL bancaria uma espécie de mesada de R$ 1,6 mil a ele próprio, a Araújo e aos também afastados Osvaldo Bergamin (sem partido), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e Flávio Vedoato (PSC), além de Sidney de Souza (PTB), Gláudio Lima (PT), Jamil Janene (PMDB), Marcelo Belinati e Sandra Graça (ambos, do PP). Todos – inclusive a empresa, em relação ao pagamento – negaram recebimento da propina que, segundo o ex-vereador, seria uma forma de não polemizar, em plenário, eventuais queixas ao transporte coletivo levadas à Casa por usuários do sistema.
  ‘‘Nunca ouvi nem rumores de mensalinho, mas recebia, sim, queixas sobre superlotação de ônibus. Registrava isso em ofício e mandava à CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização)’’, disse Araújo. Indagado sobre os motivos de o assunto não chegar a plenário, o pepista resumiu: ‘‘Não tem
nada que ficar fazendo discurso sobre esse assunto em plenário – se recebe queixa, tem que encaminhar ao órgão competente’’. Se já recebeu reclamações sobre o preço da tarifa (hoje, em R$ 2)? ‘‘Nesses oito mandatos, nunca.’’
  O delegado toma hoje cedo o depoimento do ex-vereador Henrique Barros – e, acredita, já deve encerrar essa etapa do inquérito para, em seguida, pedir dilação do prazo de conclusão. ‘‘O depoimento do vereador foi na mesma linha dos demais – negou as acusações, em suma. Agora, é aguardar a perícia do material apreendido (na residência e escritórios de Araújo, e na TCGL)’’, resumiu Flore. Na dilação do inquérito, contudo, o delegado não descarta intimar outras pessoas para serem ouvidas.

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