Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, é um exemplo de como os investimentos das empresas estatais federais podem produzir impacto em uma comunidade. A partir da segunda metade da década passada, a Petrobras investiu US$ 5,4 bilhões na modernização da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), localizada no município, e houve reflexos expressivos na economia local.
No ano de 2010, no auge das obras, Araucária teve um saldo de empregos (diferença entre admissões e demissões) positivo de aproximadamente 7,8 mil postos de trabalho, segundo números do Ministério do Trabalho. Desde então, com as obras chegando ao fim, a cidade só registra números negativos. Em 2011, o saldo de empregos foi de 531 postos de trabalho a menos. Em 2012, de -7,8 mil; e no ano passado, de -998.
João Caetano Saliba, secretário de Governo da Prefeitura de Araucária, afirma que a partir de 2008 a modernização da Repar gerou uma grande demanda por hotéis, pousadas, restaurantes e outros estabelecimentos, para atender os trabalhadores temporários das obras e suas famílias, o que resultou em um aumento significativo da arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS).
"Agora, essa demanda acabou. Muitos estabelecimentos fecharam as portas porque não tinham mais aquela clientela. Não foi algo tão traumático porque os empreendedores que abriram esses estabelecimentos sabiam que era um fenômeno sazonal", explica.
A "conta" maior teria ficado para a administração municipal, segundo Saliba: ele afirma que os recursos gerados no período foram mal administrados pela gestão anterior, e que hoje a prefeitura está com dificuldades financeiras.
"De 2009 a 2012, a prefeitura arrecadou R$ 300 milhões a mais só de ISS. Mas esse era um dinheiro sazonal. Ele não poderia ter sido usado em despesas correntes, por exemplo, para contratar mais servidores. Quando se constrói uma creche, o mais barato é o prédio. Você tem que contratar funcionários para trabalhar ali. A gestão anterior investiu em despesas correntes, abriu concursos públicos, contratou muitos servidores", alega o secretário.
Saliba diz que em 2008 a folha de pagamento da prefeitura era de R$ 180 milhões por ano. Em 2012, havia chegado a R$ 285 milhões. Por outro lado, a receita do ISS foi de quase R$ 60 milhões a menos em 2013 na comparação com o ano anterior. "Ficamos o ano passado inteiro fazendo economia. Por exemplo, quando assumimos a prefeitura, a administração municipal locava 150 carros. Hoje, são 70 veículos locados. Mas ainda hoje não temos capacidade de investimento", afirma. (F.G.)

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