Araruna bloqueia vereadores
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2000
Sid Sauer De Campo Mourão 
Pela segunda vez em dois dias, a Câmara Municipal de Araruna (19 km ao norte de Campo Mourão) teve que adiar a votação de um projeto que prevê um aumento salarial de 330% para os vereadores que tomarem posse no próximo dia 1º. A sessão extraordinária marcada para ontem de manhã começou com uma hora e meia de atraso e acabou em menos de 15 minutos, depois de muito tumulto. Cerca de 80 pessoas acompanharam a sessão e fizeram muito barulho.
O vereador Olímpio de Oliveira Caetano (PRTB), principal opositor à alteração dos salários, argumentou que o presidente da Câmara, Genésio Marques de Souza (PPS), convocou a reunião extraordinária sem definir o que seria votado, o que estaria ilegal. Souza insistiu em prosseguir com os trabalhos e chegou a colocar em votação se a sessão poderia prosseguir ou não, mas acabou desistindo diante da confusão.
A votação do projeto que define os salários dos próximos vereadores em R$ 1,3 mil ficou para hoje e amanhã, a partir das 9 horas. Em junho, os vereadores haviam aprovado, por unanimidade, que os salários a partir de janeiro seriam de R$ 302,00. A apresentação de uma nova proposta retomando os valores atuais logo após as eleições irritou a população de Araruna. Ontem, cerca de 100 pessoas acompanharam a sessão em frente à Câmara.
O clima foi tenso durante toda a manhã. Vinte policiais fizeram a segurança no local e somente 20 pessoas foram autorizadas entrar no plenário. O restante teve que ficar do lado de fora. Diante do tumulto, o presidente da Câmara chegou a pedir à Polícia Militar que retirasse o público do plenário. O pedido só fez aumentar a revolta popular. Temendo um quebra-quebra, a PM intermediou um acordo entre Souza e os populares e o público permanceu no local.
O principal alvo da ira popular é o presidente Genésio Marques de Souza. Ele foi um dos autores do projeto do salário de R$ 302 e agora, reeleito, é o principal defensor do retorno do vencimento aos R$ 1,3 mil. Para os manifestantes, Souza fez uma manobra eleitoral para se reeleger. Ele nega. Quero apenas reparar um erro. O projeto que abaixou os salários dos vereadores está inconstitucional e precisa ser corrigido, frisou.


