Josoé de Carvalho/Folha de LondrinaApeloPopulação foi às ruas para pedir agilidade da Polícia e da JustiçaSilêncio e dor na passeata de protesto pelos quatro meses do assassinato do ex-prefeito de Arapuã, Hélio Mathias (PTB). A passeata foi realizada anteontem à noite com a presença de cerca de 500 pessoas entre familiares, amigos e eleitores de Mathias. Eles percorreram a pé um trecho de 800 metros entre a Igreja Matriz e a casa do ex-prefeito, levando velas e faixas que pediam justiça e a solução do crime.
A mãe de Mathias, Adília, 70 anos, a viúva Helena e os irmãos da vítima eram os mais emocionados. Quando os manifestantes pararam em frente à residência do ex-prefeito, dona Adília não conteve o choro e precisou ser amparada por familiares. A pacata Arapuã parou para ver o protesto. As aulas foram suspensas. Quem não aderiu à ‘marcha’ ficou na frente de casa para acompanhar a passagem dos manifestantes. O silêncio só foi quebrado pelo ‘‘Pai Nosso’’ e ‘‘Ave Maria’’.
O pai de Mathias, João, 72 anos, liderou uma das primeiras filas da passeata. Ele carregava uma faixa ‘endereçada’ ao governador Jaime Lerner, pedindo justiça para o assassinato. Crianças também participaram do movimento.
Depois da passeata, a população assistiu à missa rezada pelo padre Eugênio Cereja. Além de reivindicar justiça no sermão e na liturgia, o discurso destacou o mistério que envolve a morte do ex-prefeito. O padre alertou para o clima de tensão e desconfiança que reina no município. ‘‘Aqueles que se sentem ameaçados, que apelem ao Pai. Eu mesmo digo à noite que não sei se amanheço vivo. Quando amanhece, digo que não sei se vivo até o anoitecer. É um método que traz conforto’’, garante. ‘‘Apesar de tudo que temos vivido, ainda temos paz no coração’’, garantiu
‘‘Livrai-nos do perigo do assassino traiçoeiro. Livrai-nos do desejo de vingança, que aumenta quando a justiça se atrasa’’, continuou o padre. Ele reivindicou o combate ao que chamou de ‘‘crime organizado’’ e prometeu realizar outras 11 missas em memória de Mathias. Segundo ele, houve 15 pedidos e quatro missas já foram rezadas.
Durante a celebração, vereadores, familiares e o prefeito José Pereira da Silva, o Tarugueiro (PMDB), se manifestaram sobre o assassinato e pediram por justiça, incitados pelo discurso do padre. Um dos irmãos de Mathias, Emir, encaminhou carta à Secretaria de Segurança Pública e ao governador Jaime Lerner pedindo a entrada do grupo de elite da Polícia, Tigre, nas investigações.
Até agora, os mandantes do crime não foram identificados. A polícia revelou a identidade dos assassinos e divulgou o retrato falado deles, em maio, mas não conseguiu prendê-los. Os dois assassinos foram identificados como sendo da Bahia. O prefeito foi morto com três tiros no dia 17 de abril, quando saía de uma concessionária de veículos em Arapongas. Segundo as testemunhas, os criminosos passaram uma semana em Arapuã e se passaram por compradores de feijão.
Mês passado, o delegado responsável pelas investigações, José Carlos Bassalobre, afirmou que a polícia sabe que os mandantes são do Paraná, mas não revelou nomes para não atrapalhar as investigações. Ontem, ele não foi encontrado pela Folha. Na delegacia de Arapongas, onde é titular, a informação foi de que ele estava em Arapuã.

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