SÃO PAULO - Embaixadores de 14 países árabes pediram ao governo brasileiro que ajude a salvar o processo de paz no Oriente Médio, ameaçado pela construção de um novo bairro israelense na parte árabe de Jerusalém, na véspera da visita ao Brasil do ex-primeiro-ministro de Israel e Nobel da Paz Shimon Peres, que vai participar hoje de um Ato Público pela Paz, no clube Hebraica, em São Paulo, e terá um encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na segunda-feira, em Brasília.
O embaixador da Palestina, Mussa Odeh, disse que ‘‘a iniciativa dos 14 embaixadores árabes de Brasília é a de incluir o Brasil entre os países que estão usando suas forças para proteger o processo de paz’’. Mas ele negou que ‘‘usar forças’’ seja o mesmo que ‘‘fazer pressões sobre Israel’’, como noticiado pela agência chinesa de notícias Xinhua, provocando uma reação do deputado Shimon Peres antes de embarcar do Chile para o Brasil: ‘‘Acredito que a paz não possa ser imposta de fora; o mundo não deve pressionar Israel’’.
O pedido dos embaixadores árabes foi entregue ao Itamaraty na quinta-feira. O embaixador Mussa Odeh o explicou como ‘‘um desejo de evitar novos banhos de sangue entre israelenses e palestinos’’.
Ele também declarou que ‘‘a Palestina é a terra da paz’’. E deu as boas-vindas ao ‘‘sábio’’ e ‘‘grande líder’’ Shimon Peres, líder do Partido Trabalhista israelense e fundador do Instituto Peres pela Paz, dedicado a projetos econômicos, agrícolas e culturais que unam judeus e árabes.
‘‘A visita de Peres é uma grande honra para nós’’, disse o embaixador Odeh. ‘‘Ele dará o melhor de si para a paz’’. Ainda líder da oposição trabalhista até maio, quando haverá primárias para a escolha de um novo presidente do partido, Peres poderia voltar ao governo se o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se vir forçado a aceitar a formação de uma coligação de união nacional.
‘‘1997 será o ano decisivo para a paz’’, disse Peres, recentemente, num discurso na Universidade de Tel-Aviv em que se colocou fora das próximas eleições gerais em Israel, no ano 2000. ‘‘Há quem pense que podemos esperar quatro anos...Não podemos: seria uma catástrofe’’, advertiu. E a quem achou que ele estava apenas querendo prolongar sua longa carreira política, explicou: ‘‘Não estou procurando emprego’’.

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