Aprovado mínimo de R$ 437 para o Paraná
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quarta-feira, 03 de maio de 2006
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Na presença de centenas de sindicalistas nas galerias e em frente à Assembléia Legislativa e ao som de três trios elétricos, os deputados estaduais aprovaram ontem em primeira discussão, com 49 votos favoráveis, o salário mínimo regional de R$ 437. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa vai analisar uma emenda ao projeto apresentada ontem pelo PPS. A segunda votação está prevista a próxima segunda-feira. A votação foi aberta e dos 54 deputados quatro não compareceram.
O presidente da Assembléia, deputado Hermas Brandão (PSDB), cancelou o pequeno expediente (momento antes da votação no qual os deputados discursam) e foi direto para a votação do projeto do governo do Estado. Os sindicalistas que ocuparam as duas galerias estavam agitados. Trabalhador unido jamais será vencido, gritaram, após cantar o Hino Nacional. Era possível ver bandeiras de diversas centrais sindicais e muitas com o slogam da propaganda pela aprovação do salário mínimo regional feita pelo governo do Estado.
Contando com o presidente, que não tem direito a voto, estavam presentes 50 deputados na hora da votação. Todos os 49 com direito a voto disseram sim ao projeto. O único deputado que votou protestando foi o Pastor Edson Praczyk (PMR). Apesar de demagogo e eleitoreiro eu voto sim, disse ao declarar seu voto. O líder da oposição da Casa, deputado Valdir Rossoni (PSDB), lembrou a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que coíbe o nepotismo nos três Poderes do Estado na hora de proferir seu voto. Eu lamento não ter a mesma unidade na votação do nepotismo. Voto sim, afirmou.
Os deputados Artagão Júnior (PMDB), Jocelito Canto (PTB), Carlos Simões (PTB) e Valdir Leite (PPS) não compareceram à votação. Artagão e Canto afirmaram que chegaram atrasados, porém garantiram o sim para a próxima segunda-feira. Já Leite justificou que estava em uma reunião na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e também deve votar na segunda-feira. Simões não deu justificativa para sua ausência.
A intenção de Brandão era aprovar o projeto ontem em duas sessões extraordinárias. Porém, uma emenda apresentada pelo PPS não foi derrubada em plenário e por isso vai ter que ser analisada na CCJ. A emenda prevê que o salário mínimo regional tenha aumento real de 7% ao ano por 12 anos consecutivos para assim atingir o valor considerado ideal pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que hoje está na casa dos R$ 1,4 mil.
Tanto a emenda do PPS, quando outra da Comissão de Finanças, que prevê a implantação do mínimo regional também para os servidores públicos do Estado, vão ser votadas pelos deputados junto com a segunda discussão do projeto na segunda-feira.
O líder do governo na Casa, deputado Dobrandino da Silva (PMDB), foi questionado sobre a apresentação do projeto em ano eleitoral. Não veio antes porque não era conveniente, justificou. Dobrandino também não soube responder quanto custou aos cofres do Estado os dois trios elétricos com slogan da propaganda do governdo sobre o mínimo regional e o material usado por muitos manifestantes que foram ontem à Assembléia, também com o slogan. Não sei quem pagou. Em outras votações importantes, quando é contra o governo, sempre tem manifestações assim também, alegou.


