O apresentador de TV Márcio Mello acusou ontem o radialista e ex-deputado federal Benedito Pinga-Fogo de Oliveira de ter recebido R$ 15 mil por mês, através de um esquema mantido pelo ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto (sem partido). Segundo Mello, o dinheiro vinha de um caixa 2 da assessoria de imprensa da prefeitura.
O apresentador também denunciou que o ex-secretário de Fazenda Luís Antônio Paolicchi – que está preso desde o dia 8 de dezembro de 2000 em Maringá – providenciava dinheiro para Gianoto financiar campanhas de candidatos a deputados estadual e federal nas eleições de 1998. As informações constam do depoimento que Mello prestou ao Ministério Público (MP) no domingo, mas só divulgadas ontem. Os desvios em Maringá, segundo o Tribunal de Contas (TC) do Estado, passam dos R$ 106 milhões.
Estas informações coincidem com investigações do MP que, em dezembro do ano passado, culminaram em uma ação envolvendo Gianoto e outras sete pessoas, entre assessores, donos de jornais e publicitários, por gastos irregulares com propaganda e imprensa. Na ocasião, o MP afirmou que o caixa 2 da assessoria de imprensa da prefeitura era abastecido com processos licitatórios. A prefeitura licitava uma agência de publicidade de sua preferência, depositava o valor devido e dias depois parte do valor era extornado para o caixa 2.
Conforme Mello, o ex-chefe da assessoria de imprensa da prefeitura, Henri Jean Vianna, era quem intermediava acertos entre a Rádio Nova Ingá, pertencente a Pinga-Fogo, e o ex-prefeito Gianoto. Vianna também teria recebido comissões de 10% a 20% para evitar o atraso ‘‘nas mensalidades’’ devidas pela prefeitura. Vianna foi convocado ontem de manhã para depor, mas não compareceu no MP.
Mello justificou a divulgação somente ontem para não quis ‘‘municiar depoimentos dos envolvidos’’ no caso. Conforme a denúncia do apresentador – que foi assessor parlamentar e produtor de programas de Pinga-Fogo – o ex-deputado federal montou em 1998 um ‘‘esquema de campanha’’ com dinheiro da prefeitura.
Pela denúncia, o esquema começou em 1996, quando Pinga-Fogo contratou Mello para coordenar a abertura de uma emissora de rádio em Maringá. Segundo ele, o objetivo era conquistar ‘‘grande audiência e confiança popular’’ para transformar a rádio em um canal de interesses políticos. O esquema teria favorecido os candidatos a deputado estadual na época, Joel Coimbra (atual procurador-geral do Estado) e Manoel Batista da Silva Júnior, o Dr. Batista, e também o candidato a deputado federal José Borba. Mello afirmou que Gianoto financiava principalmente a estrutura e os shows de comícios. Dos três candidatos, apenas Borba conseguiu se eleger.
Mello também denunciou que no período em que foi assessor parlamentar de Pinga-Fogo (1991 a 1993) assinava cheques repassando entre 70% e 80% do valor recebido para o então deputado. Conforme Mello, o procedimento se repetia com outros funcionários contratados pelo gabinete do ex-deputado.
No final da tarde de ontem, o apresentador informou à Folha que estava novamente deixando a cidade por medo de ameaças do radialista. Ele havia sumido na sexta-feira passada, alegando que teria recebido ameaças de morte.

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