A temperatura política subiu ontem à tarde em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), onde, segundo denunciou à Folha o candidato a prefeito pelo PMDB, Waldyr Pugliesi, uma caminhão da prefeitura passou recolhendo banners com sua propaganda nas imediações do Parque Industrial. Surpreendido por partidários de Pugliesi, que exigiram o mandado judicial, conforme relatou o vereador Graça Júnior (PTB), os funcionários e até os policiais que escoltavam a operação deixaram o caminhão no local e foram embora. O juiz Carlos Ritzman determinou que o caminhão e os banners fossem levados para o pátio da Polícia Militar (PM), enquanto os servidores foram ouvidos no Fórum.
Pugliesi, que é deputado estadual, acionou a direção da Assembléia Legislativa para denunciar que ‘‘a Polícia Militar estava dando cobertura a uma ação irregular.’’ Segundo ele, ‘‘o secretário de Segurança tem que dar alguma explicação para justificar porque a Polícia Militar de Arapongas sai às ruas para dar cobertura a uma operação ilegal como essa.’’
O prefeito José Aparecido Bisca (PFL), candidato à reeleição, justificou que os funcionários da prefeitura foram acionados para ‘‘limpar a cidade contra a invasão’’ dos partidários de Pugliesi. ‘‘A nossa determinação não tem nada a ver com a questão eleitoral’’, garantiu. ‘‘Como prefeito, tenho a responsabilidade de garantir a limpeza, a ordem e, principalmente, o direito do cidadão ir e vir.’’
Bisca ressaltou ainda que não pode permitir que centenas de banners, ‘‘fixados em lata de 20 litros, cheias de areia, permaneçam nas calçadas e praças, numa flagrante agressão ao Código de Postura do município.’’.
Questionado se sua determinação não entrava em confronto com a legislação eleitoral, Bisca afirmou que ‘‘a ação dos nossos adversários é uma questão que desrespeita o Código de Postura. Não tem nada a ver com Justiça Eleitoral’’, afirma. Sobre a presença da Polícia Militar, o prefeito explicou que foi uma medida de segurança. ‘‘Como esperávamos, o caminhão ficou retido pelos partidários do PMDB.’’
O acirramento entre partidários de Pugliesi e Bisca não surpreende. A violência da política de Arapongas já ganhou fama no Estado. Na semana passada, duas candidatas a vereadoras da coligação liderada por Bisca, afirmaram à reportagem que foram agredidas. Marlene Pio, que estava com o braço enfaixado, disse que foi agredida ‘‘por um homem alto e moreno’’, quando deixava o Mercado Centauro. ‘‘Ele quebrou meu relógio, o celular e atingiu o meu braço’’, afirmou. Maria Domingues, outra candidata, disse estar inconformada com a agressão que sofreu no Jardim Flamingos 3.
Familiares de Bisca afirmaram à Folha que também estão sendo ameaçados. O alvo, conforme telefonema anônimo, seriam os netos do prefeito, que passaram a ter vigilância redobrada. Ainda antes do início da campanha, o candidato do PMDB, Waldyr Pugliesi, denunciou que havia sido ameaçado de morte dentro de sua casa. Como ainda faltam mais de 20 dias para a eleição, a Justiça Eleitoral certamente terá muito trabalho para serenar os ânimos.

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