Apreensão de máquinas expõe diferenças entre prefeito e vice
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segunda-feira, 08 de junho de 2015
Edson Ferreira<br> Reportagem Local 
O vice-prefeito de Mauá da Serra (Norte), Sérgio Paschoal (PSC), acusa o prefeito e ex-aliado político, Nicolau Muniz Junior (PSC), de ter autorizado o uso, supostamente irregular, de máquinas do município em uma propriedade particular na zona rural da cidade vizinha de Marilândia do Sul. Conforme a FOLHA noticiou ontem, a Polícia Civil apreendeu na tarde de sábado quatro caminhões e dois tratores que estariam sendo empregados na manutenção de estradas na fazenda que pertence ao irmão do vice-prefeito. Os equipamentos já foram liberados.
Procurado pela reportagem, Paschoal evitou criticar o irmão, mas não poupou Muniz Junior. "Quem sou eu para questionar a atitude dele (dono da fazenda). O prefeito é o responsável pelo envio do maquinário até lá, são denúncias fortes." Segundo ele, quando ficou sabendo da "irregularidade", procurou a polícia e também a Câmara de Vereadores, tanto que quatro parlamentares da oposição acompanharam a ação policial no dia da apreensão. Paschoal alega não saber que tipo de acordo foi feito entre o irmão e o prefeito, "mas se não faço a denúncia e outro cidadão faz, eu poderia ser envolvido sem ter nada a ver com o erro".
Contudo, para o prefeito de Mauá da Serra, Nicolau Muniz Junior (PSC), a intenção do vice é levar vantagem política com a denúncia. "Ele quer me prejudicar politicamente para tentar ficar no meu lugar", rebateu. Ele afirmou que o maquinário estava sendo usado em área pública, "na estrada rural que divide os municípios de Mauá e Marilândia, obedecendo a lei municipal que foi aprovada pela Câmara de Vereadores e que autoriza a prefeitura a trabalhar nestas estradas que fazem a ligação com municípios vizinhos". A lei citada por Muniz Junior entrou em vigor em julho de 2013 e permite convênios com Ortigueira, Faxinal, Tamarana e Marilândia do Sul. O prefeito informou que o serviço é feito mediante o recolhimento de taxa junto à administração, mas não soube informar o valor da obra na divisa com Marilândia do Sul. "Acha que eu faria algo errado logo na fazenda do irmão do vice?"
O vice, que rompeu com o chefe do Executivo após os primeiros seis meses da gestão, negou o uso político do caso. "Não estou interessado nessa administração dele, eu quero é zelar pelo meu nome como cidadão e homem público", confirmando à reportagem o interesse em permanecer na política.
O delegado de Marilândia do Sul, Henrique Hoffmann Monteiro de Castro, responsável pelo caso, disse que as informações levantadas até agora nas diligências preliminares serão encaminhadas ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, em razão do foro privilegiado do prefeito e pela suspeita de eventual crime no uso do maquinário. Ele relatou que os equipamentos foram apreendidos em local público. "Não houve o flagrante no momento porque as máquinas estavam na via pública, mas há indícios de uso irregular do equipamento."


