Curitiba O dia do governador Jaime Lerner (PFL) e do candidato do PDT ao governo, Alvaro Dias, promete ser agitado. Os professores da rede pública estadual estão dispostos a se concentrar hoje na Praça Santos Andrade, a partir das 9 horas, para um protesto. Além de fazer reivindicações à atual administração, a manifestação tem o objetivo de relembrar o dia 30 de agosto de 1988, quando a Polícia Militar usou bombas e a cavalaria para dispersar o movimento grevista que se concentrava em frente ao Palácio Iguaçu.
Alvaro era o governador na época. Ele tem dito nesta campanha eleitoral que as pessoas inteligentes já esqueceram tais eposódios. Mas para os professores a mágoa ainda existe. ''É um dia de luta, que já consta do nosso estatuto, mas é também um dia de relembrar o que aconteceu para que os educadores nunca mais sejam tratados daquela maneira'', disse o presidente interino da APP, professor José Lemos.
O esforço para manter a lembrança dos professores viva é feito mensalmente. O nome do jornal que chega à casa dos 52 mil associados é 30 de Agosto. ''Cada vez que o professor recebe o nosso jornal, lembra da nossa luta'', observou Lemos.
O sindicalista disse ainda que o atual governo não jogou bombas sobre os professores, mas usou outros expedientes que, em última análise, se igualam a bombas e que prejudicaram os professores e a educação no Paraná. ''Por isso a data 30 de agosto é um dia de luto e de luta'', explica o professor.
A expectativa dos organizadores é que as escolas estaduais fiquem vazias hoje. A orientação da APP era de suspensão das aulas. Mas os próprios dirigentes admitem que muitas escolas devem mandar apenas representantes.
Da Praça Santos Andrade, os professores seguem em passeata até a frente do Palácio Iguaçu, onde tentarão uma audiência com Lerner. Na pauta de reivindicações está a reposição das perdas salariais acumuladas nos últimos sete anos que, segundo os cálculos do Dieese, chegam a 65%; revitalização do Instituto de Previdência do Estado (IPE); compromisso de que a hora-atividade de 10% para 20% não será vetada pelo governador caso seja aprovada na Assembléia Legislativa e implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS).

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