Curitiba – Ciente de que a base aliada ao governador Beto Richa (PSDB) na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná não aceitará a retirada do projeto de lei 631/2015, que modifica as regras para eleição dos diretores nas 2,1 mil escolas da rede estadual, os membros da APP-Sindicato já planejam uma série de mobilizações junto aos deputados, visando à rejeição da mensagem. Nesta segunda-feira, quando acontece a votação em primeiro turno, docentes da capital e do interior pretendem lotar as galerias da Casa. Segundo a secretária de finanças da entidade, Marlei Fernandes, a realização de um protesto em frente, com carro de som, barracas e faixas, também não está descartada.
"Vamos à guerra", resumiu. Ela contou que a mobilização seguirá as deliberações feitas nas últimas assembleias da categoria – entre outras questões, os educadores decidiram paralisar suas atividades nas datas de discussão em plenário. "Estamos convocando representantes de todo Estado para ficarem aqui de segunda a quarta-feira", contou. A entidade ainda não tem uma estimativa de quantos ônibus serão deslocados para a capital. A ideia é fazer uma reunião prévia pela manhã e, em seguida, perto das 14h30, quando começa a sessão, partir para a AL. "Esperamos pelo menos dez a 30 representantes de cada região", completou.
A principal polêmica da proposta, conforme a APP, diz respeito ao parágrafo 14, que estabelece mandatos de dois anos, ao invés de três, mas com possibilidade de uma recondução. O cumprimento do segundo período estaria condicionado a uma avaliação, a ser conduzida pela Secretaria da Educação (Seed). Os critérios não estão especificados no texto. O líder do governo na AL, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), chegou a apresentar duas emendas - uma para permitir a candidatura dos profissionais que já exerceram a função por mais de oito anos consecutivos e outra deixando claro que, no caso de avaliação negativa dos diretores, não haverá ‘intervenção’, e sim um novo pleito.
"Tivemos alguns avanços, mas continuamos defendendo a rejeição, primeiro porque entendemos que o mandato de quatro anos não é definitivo, já que pode haver essa intervenção, e também porque ainda consta a exigência de um curso antecipado. Não somos contra, desde que seja ofertado depois da eleição, após formação continuada, e não antes, como filtro", afirmou Marlei. O terceiro ponto de discordância, de acordo com ela, é a questão do voto universal. "O número de alunos, pais e mães será sempre muito maior do que o de professores – eles representam em torno de 95% de todos os eleitores. Então, de forma alguma assim haverá igualdade. Defendemos a paridade", argumentou.

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