A Associação dos Aposentados da Prefeitura de Londrina quer que a administração municipal anule o Plano de Cargos e Salários (PCCS) criado no final de 2004. Conforme representantes da entidade, a medida seria uma forma de garantir índice de reposição salarial de 14% a todo o funcionalismo - dividido entre 2 mil inativos e pouco mais de 7,1 mil da ativa. A greve iniciada pelos servidores da ativa, no mês passado, completa hoje 43 dias e já se firma como a maior na história da categoria.
O PCCS atual é alvo de críticas por parte da diretoria do sindicato que representa os servidores municipais, o Sindserv, uma vez que gerou promoções a setores restritos dentro do Executivo - como assistentes sociais e pessoal da Fazenda e Procuradoria Jurídica. Entretanto, a administração e a diretoria antiga do Sindserv chegaram a tabalhar juntos na confecção do Plano - à época, o sindicato era presidido pela servidora da Educação Marlene Valadão Godoy, hoje assessora do vereador Gláudio Lima (PT).
Segundo o presidente da Associação, Mauro Lúcio de Oliveira, essa não é primeira vez que a entidade - subordinada ao Sindserv - questiona o PCCS. Ano passado, o Plano foi alvo de uma ação judicial para que a promoção fosse estendida igualmente a ativos e inativos. Agora, a Associação quer conversar com o prefeito Nedson Micheleti (PT) para que o PCCS seja anulado e, assim, se resolva ao menos parte do impasse vivido desde o início do movimento. A categoria reivindica reposição de 27,53% de perdas salariais e abertura de negociação. Para Nedson, além da impossibilidade de incremento de gastos com pessoal, este ano, a abertura de negociação demandaria oferecimento de um índice; daí a recusa.
''Temos mais de 2 mil aposentados que não foram abrangidos pelo PCCS. Queremos a anulação agora para gerar esses 14% de reposição geral, e um posterior plano, ano que vem, que não venha abruptamente e contemple a todos'', explicou Oliveira, referindo-se a um cálculo, conforme ele, estabelecido pelo Dieese a pedido do Sindserv. ''Queremos contribuir para que se resolva esse impasse, por isso tentamos propor isso ao prefeito'', complementou.
Questionado sobre o porquê do pedido de anulação - uma vez que o sindicato vinha defendendo a suspensão do PCCS -, Oliveira argumenta: a motivação é meramente jurídica. ''Suspender o PCCS geraria direitos às partes já beneficiadas; isso pararia na Justiça e protelaria uma decisão. Se anular, tudo volta à estaca zero, sem a necessidade de devolução de valores'', resumiu.
A assessoria do prefeito reforçou o posicionamento que ele adotou a respeito desse e de outros benefícios pontuais a alguns setores do funcionalismo: a medida não geraria impacto tão significativo assim, além de ser a ''política de pessoal'' de Nedson.
Amanhã - dia em que a greve completa um mês e meio -, os servidores se reúnem novamente em assembléia geral em frente à prefeitura para definir os rumos da paralisação.

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