Agência Estado
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Ao divinoDeputado Paulo Paim faz uma ‘‘prece ao salário mínimo’’. Ele é autor do projeto que aumenta o mínimo para R$ 208 A manifestação dos aposentados contra a reforma previdenciária, iniciada no plenário da Câmara dos Deputados por cerca de mil pessoas e levada à rampa do Palácio do Planalto, ontem, irritou o presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele telefonou ao presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), para reclamar do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que participou do ato. ACM repreendeu o senador em plenário. A manifestação foi considerada um sucesso por seus patrocinadores. Líderes governistas admitiram, reservadamente, que a votação da reforma previdenciária corre sérios riscos neste ano eleitoral.
A comissão especial da Câmara que analisa a proposta de reforma decidiu promover quatro dias de audiências públicas sobre o tema. O ciclo de audiências começará amanhã cedo e incluirá reuniões de terça a quinta-feira da próxima semana.
Os aposentados participaram de uma sessão solene da Câmara em homenagem ao Dia Nacional da categoria e, depois, seguiram em direção ao Palácio do Planalto. Além de Suplicy, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, também acompanhou os manifestantes até o Planalto. Na rampa do Palácio, os participantes, conduzidos pelo deputado Arnaldo Faria de Sá (PPB-SP), foram impedidos de prosseguir.
Fernando Henrique não estava no Palácio no momento da manifestação. Quando soube do início de tumulto, ligou para ACM e comentou que o episódio poderia ter resultado num problema institucional grave, se houvesse conflito entre aposentados e polícia. ACM fez uma advertência pública a Eduardo Suplicy por ter comandado, com outros, a manifestação. O petista disse que há mais de um ano os aposentados tentam audiência com Fernando Henrique e não conseguem.
Na rampa do Planalto, os aposentados repetiam, em sequência, as palavras da presidente da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobrap), Maria Machado: ‘‘Fernando Henrique quer nosso voto, mas qual a resposta que os aposentados vão dar para ele?. ‘‘Não’’, respondiam em coro, com vaias e de costas para o Palácio.
Com a bandeira do Brasil nas mãos, dona Perdentrina de Araújo Fernandes, 76 anos, estava na linha de frente dos aposentados. Corajosa, ela não se intimidou quando os soldados impediram os aposentados de subir a rampa palaciana. Com lágrimas no olhos, ela declarava a uma emissora de televisão que a aposentadoria de R$ 123, depois de 39 anos de trabalho numa tecelagem de Petrópolis (RJ), não lhe permitiu pagar o enterro do marido, também aposentado, morto em novembro do ano passado, depois de cinco anos lutando contra o câncer, a tuberculose e a cirrose.
Veterana de outras manifestações - já esteve em Brasília carregando a mesma bandeira com o movimento dos sem-teto, pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor e contra a privatização da Vale - dona Pedrina, como é chamada, teve que fugir de casa para participar da caravana dos aposentados.
Os cerca de mil aposentados que lotaram o plenário e as galerias transformaram a sessão solene da Câmara em uma manifestação de repúdio à reforma previdenciária. Com bandeiras brasileiras e de entidades de aposentados de todo o País, os inativos silenciaram-se para acompanhar a ‘‘prece ao salário mínimo’’ feita pelo deputado Paulo Paim (PT-RS), ajoelhado no plenário.

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