Brasília - O acordo fechado pelo governo federal com as centrais sindicais na semana passada, que dará reajuste real aos aposentados e pensionistas do INSS que ganham acima de um salário mínimo em 2010 e 2011, não agradou a todas as entidades que representam a categoria. A Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (Cobap), que não aceitou os termos do acordo, promete para hoje a realização de uma vigília no plenário da Câmara dos Deputados em protesto ao acerto feito na semana passada.
''O tal acordo não satisfaz os aposentados e pensionistas e vamos continuar na Câmara a nossa luta'', afirmou o secretário-geral da Cobap, Moacir Meirelles de Oliveira. Na manhã de ontem, os dirigentes da entidade se reuniram com o senador Paulo Paim (PT-RS) para traçar uma estratégia de pressão aos parlamentares para que sejam votados os projetos originais que alteram regras de concessão e corrigem valores dos benefícios previdenciários que já foram aprovados no Senado e estão agora na Câmara dos Deputados. O ''ponto de honra'' para a categoria é o que reajusta os valores pagos hoje pelo INSS, resgatando a equivalência em número de salários mínimo que eles tinham no momento das concessões.
O objetivo do governo ao fechar o acordo, que concederá um reajuste real em torno de 6,5% no ano que vem, é justamente evitar o risco de que tais propostas sejam aprovadas pela Câmara, às vésperas de ano eleitoral. Se isso acontecer, o ministro da Previdência Social, José Pimentel, garante que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetará os textos. Segundo o Ministério da Previdência Social, somente esse projeto representaria um gasto adicional de R$ 76 bilhões este ano.

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