Aposentados pedem impeachment de Lerner
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quarta-feira, 13 de novembro de 2002
Maria Duarte<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Aposentados e pensionistas do Estado pediram ontem o impeachment do governador Jaime Lerner (PFL). O pedido foi entregue à Assembléia Legislativa, o poder competente para julgar e votar o caso. A Procuradoria da Casa deve analisar o documento, para verificar se o mesmo tem embasamento legal.
O pedido diz que Lerner desrespeitou a ordem de pagamentos de precatórios (créditos garantidos por decisão judicial) e foi assinado pelo advogado Carlos Alberto Pereira, que representa Adão Monteiro do Amaral, aposentado, e Adel Bueno Ferreira, uma pensionista. Para o advogado, isso seria improbidade administrativa, já que o pagamento de precatórios precisa obedecer a uma determinada ordem.
Pereira disse à Folha que já entrou com 362 processos contra Jaime Lerner, todos por não cumprimento de decisões judiciais. Até o final do mandato do pefelista, em 31 de dezembro, o advogado quer chegar a mil processos protocolados contra a atual administração. Lerner tinha embarque previsto, na noite de ontem, para Veneza, na Itália. Procurado pela reportagem, o Palácio Iguaçu não comentou a atitude dos aposentados.
Pensionistas e aposentados lotaram ontem as galerias da Assembléia. Eles queriam que o pedido de impeachment fosse lido em voz alta no plenário. O deputado Élio Rusch (PFL), que presidia interinamente a sessão, argumentou que isso não poderia ser feito porque não estava previsto no expediente. Os aposentados protestaram e conquistaram o apoio de alguns deputados.
A sessão foi paralisada, para que a mesa pudesse analisar melhor o assunto, mas uma manobra da bancada governista esvaziou o plenário e o pedido acabou não sendo lido. Os aliados de Lerner classificaram o pedido como uma tentativa de criar um fato político. ''(O impeachment) é só discurso'', desqualificou o líder governista na Casa, Durval Amaral (PFL).
Não há prazo previsto, no Regimento Interno da Assembléia, para que os deputados se pronunciem sobre o caso. Há mais de um ano, o PMDB do governador eleito, senador Roberto Requião, protocolou na Casa pedido de impeachment semelhante. Até hoje, não tramitou.


