Curitiba As aposentadorias viraram uma das principais tônicas destas eleições. Candidatos usam o recebimento ou acúmulo de aposentadorias para tentar derrubar os adversários. A denúncia mais recente partiu do candidato ao governo pelo PPS, Rubens Bueno, contra o presidente licenciado da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho. Ele é coordenador da campanha de Alvaro Dias (PDT) ao governo e suplente do senador Osmar Dias (PDT).
Em campanha pelo interior, Bueno tem classificado de ''imoral'' uma aposentadoria que Carvalho recebe por ter sido procurador de Justiça no governo Alvaro (1987-1990). Ele disse, em entrevista à Folha, que Carvalho nunca trabalhou como procurador. ''Estou denunciado isso no Paraná, porque temos que acabar com esse tipo de privilégio.''
Carvalhinho, como é conhecido, é formado em direito e disse que prestou concurso público e exerceu a função por 35 anos. ''Acho muito estranho ele falar mal de mim, não tem moral. Sempre o ajudei'', protestou. Na sua avaliação, Bueno quer atingir Alvaro. ''Tenho orgulho de ter sido procurador e nunca perdi uma causa.''
Carvalhinho não é o único alvo. O empresário e ex-governador Paulo Pimentel, candidato ao Senado pelo PMDB, também está amargando desgaste político. O PTC escancarou no horário eleitoral gratuito as três aposentadorias recebidas pelos peemedebista.
Na tentativa de neutralizar o discurso contra Pimentel, o PMDB partiu para o ataque. Na semana passada, enviou às redações de jornais nota do partido afirmando que o atual suplente de Alvaro no Senado, o ex-secretário Olivir Gabardo, acumula cinco aposentadorias. Gabardo foi procurado pela Folha, mas não foi encontrado.
Na década de 80, o recebimento de aposentadorias também foi arma contra candidatos ao governo. Saul Raiz, que concorria contra José Richa, acabou prejudicado por conta de uma denúncia do gênero. Em seguida, foi a vez de Richa padecer com a mesma crítica. Analistas políticos dizem que ele perdeu a eleição de 1990 para Requião, por ter se aposentado como ex-governador.

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