Além da segurança, o então candidato do PSDB à sucessão presidencial em 1994, Fernando Henrique Cardoso, anunciou que seriam prioridades de seu governo as áreas de educação, saúde, agricultura e emprego. Esses cinco temas, simbolizados pela mão espalmada do candidato, foram exaustivamente divulgados na campanha eleitoral.
No balanço de três anos do Real - o plano entrou em vigor em julho de 1994, ainda no governo Itamar Franco, quando Fernando Henrique era ministro da Fazenda -, o Palácio do Planalto apresentou números sobre todas essas áreas, menos segurança. O governo destacou sobretudo o crescimento, no período de julho de 1994 a julho de 1996, do que chamou de ‘‘gastos sociais’’.
Segundo as estimativas oficiais divulgadas na semana passada, essas despesas cresceram 26,7% reais no período mencionado. Para atingir este resultado altamente positivo, o governo contabilizou todo o custo das aposentadorias e pensões como ‘‘gasto social’’. A previdência privada e pública responde por 64% dos R$ 95 bilhões que o governo diz ter aplicado em 1996 em ‘‘três áreas de atuação’’, assim classificadas: ‘‘cobertura dos riscos da velhice, da invalidez e do desemprego’’; ‘‘atendimento à demanda da população de baixa renda’’ e ‘‘atenção à população infanto-juvenil’’.
Quando se retira da conta do governo os R$ 43 bilhões pagos em 1996 a benefícios dos trabalhadores da iniciativa privada, que contribuem para o INSS, e os R$ 17 bilhões pagos aos inativos da União - despesas que aumentaram em média 40% em dois anos -, o crescimento com ‘‘gastos sociais’’ no período 1994-1996 fica reduzido a apenas 5,8%.
Isso porque, sem a Previdência, os gastos com os programas seguro-desemprego, qualificação profissional, organização agrária, assistência médica e sanitária, saneamento básico, assistência social, ensino fundamental, merenda escolar e educação de crianças de zero a seis anos consumiram em 1994 R$ 32 bilhões em 1994 contra R$ 34 bilhões em 1996.
Entre os programas que mais cresceram estão o seguro-desemprego (64%) e a qualificação profissional (51.000%) - resultantes do maior número de desempregados no mercado formal e da decisão do governo de criar programas de requalificação de mão-de-obra. O programa reorganização agrária também cresceu 111% em dois anos, consequência da aceleração dos processos de desapropriação de terras, para efeito de reforma agrária. Os principais gastos com saúde e educação tiveram crescimento que variou entre 4% e 14% em dois anos, segundo levantamentos do governo.

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