Curitiba - A aprovação de um projeto de lei que criou um fundo de aposentadoria suplementar para os deputados estaduais foi o assunto mais polêmico do primeiro semestre da Assembléia Legislativa, na avaliação do cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Trata-se, segundo ele, de uma proposta ''problemática'' e ''imoral''. ''Eles passam a acreditar que um deputado estadual é uma 'profissão'. E na verdade eles são representantes.'' Segundo Oliveira, votações de projetos de lei que criam um impacto negativo na opinião pública, são ''típicas'' de início de legislatura. ''É uma votação envergonhada, que não poderia acontecer em período eleitoral.''
Outra característica típica, lembra Oliveira, é a posse de suplentes, que no Paraná entraram no lugar de deputados que assumiram postos no Executivo. É o caso de Nelson Garcia (PSDB), que ficou com a secretaria estadual do Trabalho, e Ênio Verri (PT), que está à frente do Planejamento. Rui Hara (PSDB), que havia assumido uma cadeira com a saída de Garcia, voltou para a Prefeitura de Curitiba no final do semestre. Malucelli Neto (PSDB) tomou posse no lugar de Hara.
Em relação às mensagens de autoria do Executivo aprovadas na Casa, Oliveira destaca a que permite que o Governo do Estado, por decreto, possa criar, extinguir ou remanejar cargos em comissão. ''É uma proposta questionável'', avalia. No Executivo, existem hoje cerca de 3,6 mil cargos comissionados. Oliveira não destacou nenhuma das propostas de autoria do próprio Legislativo (exceto a que cria o fundo de aposentadoria), aprovadas durante o semestre. ''O início da legislatura é de mais articulação e menos de produção.''
Ao ser questionado sobre a atuação da oposição durante o semestre, Oliveira afirma que a bancada ''marcou presença'', diferente da legislatura passada, quando a situação formou uma ''maioria tranquila''. Ele afirma que a tendência é que a situação, mesmo ainda em maior número, fique ''cada vez mais fragmentada'' ao longo da legislatura, que segue até 2011. ''O governador Requião não pode se reeleger mais. É o fim de um ciclo e a abertura para o surgimento de novas lideranças.''
Oliveira explica que o auge da ''crise'' aconteceu quando parlamentares da base aliada votaram com a oposição na criação de uma CEI para apurar supostas irregularidades nos gastos da Secretaria de Estado de Comunicação Social. Desde então, relata, o líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), começou a fazer reuniões frequentes com a bancada. ''Ele tinha um estilo isolado na liderança, que foi mudando um pouco no final do semestre.''
Mas a prova da falta de articulação dos governistas, segundo Oliveira, está no fato do PMDB, mesmo sendo a maior bancada da Casa, não ter conseguido um nome para a presidência do Legislativo, que ficou nas mãos de Nelson Justus, do DEM (ex-PFL), que apesar de pertencer a oposição, é amigo pessoal do governador.
Outra demonstração de fragilidade, na opinião de Oliveira, foi quando um grupo de parlamentares viajou ao Japão, acompanhando o governador. Os peemedebistas que restaram preferiram não arriscar qualquer votação, se retirando do plenário de forma estratégica.

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