Aposentadoria e sogra fantasma foram destaques
Na avaliação do cientista político Ricardo Oliveira, o ''pior momento'' do ano na Assembléia foi o resultado de uma sindicância sobre o esquema que permitiu que a dona de casa Verônica Durau recebesse salários do Legislativo, de 1996 a 2007, sem trabalhar no local. Ela estava lotada nos quatro primeiros anos no gabinete do então deputado Beto Richa (PSDB), hoje prefeito de Curitiba. Nos anos seguintes, ela teria sido passada para a diretoria-geral adjunta da Casa.
A sindicância citou apenas três envolvidos no esquema: Verônica, Ezequias Rodrigues (que era o chefe do gabinete, é genro de Verônica e assumiu a responsabilidade) e Luiz Molinari, à frente da diretoria-geral adjunta até o ano passado, quando faleceu. ''Eles colocaram a responsabilidade num homem morto.''
Outros ''pontos baixos'', completa ele, seriam as aprovações de propostas como a que cria um fundo de aposentadoria para os deputados e a que proíbe a instauração de procedimentos administrativos a partir de denúncias anônimas.
A instalação da TV Sinal - que exibirá em 2008 as sessões plenárias da Casa - teria sido ''a grande novidade'' do ano. A TV Sinal começou a funcionar pelo canal fechado, com uma grade de programas que vai do meio-dia até meia-noite e inclui informações sobre cultura e memória do Paraná. ''É uma iniciativa que merece ser apoiada''. Por conta da novidade, ele acredita que em 2008 haverá uma ''mudança de comportamento''. ''Aqueles que antes não usavam a tribuna devem falar mais agora.''
A reforma do Regimento Interno, anunciada pelo presidente Nelson Justus logo no início do ano, não aconteceu. A prometida ''modernização'' da Casa, lembra o cientista político, também ocorreu só parcialmente, já que o site do Legislativo na internet não sofreu qualquer modificação. Ele critica o fato de a população não ter acesso a informações, por exemplo, sobre os trâmites dos projetos e despesas dos gabinetes. Um painel eletrônico para registrar a presença dos parlamentares no plenário também virou promessa para 2008.
Ele lembra que a polêmica em torno das assinaturas na proposta contra o nepotismo poderia ter sido evitada se o Legislativo já estivesse ''informatizado''. Uma das assinaturas de apoio foi identificada erroneamente como sendo do pedetista Edgar Bueno e a proposta acabou sendo retirada da pauta de discussões. ''É um absurdo depender de um rabisco. A prática permanece para se manter a possibilidade da ingerência pessoal de autoridades nos registros.''
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) - responsável pela análise das matérias antes da votação no plenário - já deixou 69 projetos de lei para 2008. Levantamento da diretoria administrativa e legislativa revela que durante o ano os parlamentares apresentaram 898 propostas. Também foram discutidas 59 mensagens enviadas pelo Executivo. (C.S.)





