Dificilmente a reforma administrativa será aprovada pelo Senado até março, como previu o relator Romero Jucá (PFL-RR), se ficar comprovado que o texto aprovado pelos deputados assegura aposentaria integral aos magistrados. Jucá disse que receberá o parecer da assessoria jurídica sobre o assunto na semana que vem, mas está cauteloso.
Segundo ele, a questão será tratada ‘‘de forma política pelo Senado’’. Isso significa que os senadores vão decidir se mantêm o privilégio - que derrubaram na reforma da Previdência - para não atrasar a votação final, ou se mudam a proposta, o que obrigaria os deputados a examiná-la novamente.
Se depender do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), a decisão já está tomada: ‘‘Se isso for verdade, a votação da reforma será adiada’’, previu. ‘‘Não podemos apoiar um privilégio depois de rejeitá-lo’’. Antônio Carlos encabeçou o movimento que se opôs ao lobby de magistrados no debate da reforma da Previdência. Na ocasião, juízes e procuradores de todo o País tentaram convencer os senadores a não acabar com a regalia, mas foram derrotados. Para o presidente do Senado, ‘‘a sociedade não quer e não aceita tratamento diferenciado por setores’’.
O relator alegou que existe ainda a hipótese de o Senado manter intacto o texto da reforma, para não atrasar sua votação. Nesse caso, terá de apostar na aprovação da reforma da Previdência pelos deputados e que a derrubada do privilégio prevaleça nessa proposta.

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