Curitiba - A aposentadoria compulsória de Edgard Lippmann, juiz federal, foi publicada ontem no Diário Oficial da União. O despacho assinado pela presidente Dilma Rousseff (PT) é consequência de decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que considerou inadequada a conduta do magistrado em processo de 2003, quando Lippmann autorizou a reabertura de uma casa de bingo em Curitiba. Para o CNJ, houve troca de vantagens financeiras entre a parte e o magistrado. Para o relator do processo, Bruno Dantas, a movimentação financeira de Lippmann à época superava seus ganhos como juiz federal.
FOLHA conversou com Lippmann, que confirmou mover ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a nulidade do julgamento do CNJ e sua reintegração aos quadros da Justiça Federal. ''Nunca me arrependi de nenhuma decisão minha'', diz o magistrado, para quem o CNJ ''atropelou vários detalhes no julgamento do caso''. ''Quando começou toda essa história, acabei me desiludindo. Não tinha mais condição psicológica, pois você tem um nome dentro da comunidade. Se é para ser juiz acuado, um juiz medroso, é melhor abrir a minha vaga'', relata Lippmann, justificando pedido de aposentadoria voluntária feito durante a análise do processo.
''Se eu for reintegrado, posso concluir minha aposentadoria pelas vias legais'', torce Lippmann, interessado em ''apagar'' da sua ficha funcional a punição dada pelo CNJ. ''Meu pedido já tem cinco votos favoráveis. Onze votam'', conta o juiz. No STF, a relatoria do caso está com o ministro Dias Toffoli. Esse caso ganhou notoriedade no Paraná após ele e o então governador do Paraná, Roberto Requião, ''baterem boca''. Lippmann impediu a transmissão pela TV Educativa da ''escolinha'' do peemedebista, sob a alegação de propaganda pessoal. Em contrapartida, Requião acusava Lippmann de estar envolvido com as empresas de bingo. Não há prazo para que o STF confirme, ou reforme, a decisão do CNJ.

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