Montevidéu - A presidente Dilma Rousseff desembarca hoje, por volta das 11h30, pela primeira vez na capital uruguaia desde que tomou posse em janeiro passado. A visita será breve - de apenas cinco horas - mas promete ser intensa, já que a presidente brasileira, na reunião com o presidente uruguaio José ''Pepe'' Mujica, assinará mais de uma dezena de acordos bilaterais. Os dois presidentes, segundo o Itamaraty, ''examinarão assuntos da agenda global e regional'', além do andamento dos principais projetos da agenda bilateral. A idéia dos dois governos é a de acelerar obras de infraestrutura para ''dinamizar'' a integração, especialmente entre o norte do Uruguai e o a região meridional do Rio Grande do Sul.
Na sexta-feira o embaixador brasileiro em Montevidéu, João Carlos de Souza-Gomes, indicou à imprensa que entre os acordos a serem assinados estão a construção de uma segunda ponte sobre o rio Jaguarão, na fronteira entre ambos países, além da interconexão ferroviária entre o Brasil e o Uruguai na cidade de Rivera. Além disso, destacou o início das obras que pretendem estabelecer a interconexão elétrica uruguaio-brasileira.
Souza-Gomes também afirmou que os dois governos planejam reativar a hidrovia da Lagoa Mirim, na fronteira.
Adiamentos
A viagem presidencial a Montevidéu estava prevista originalmente para o dia 31 de janeiro. No entanto, por problemas de agenda foi transferida e confirmada posteriormente pelo chanceler Antônio Patriota para o dia 16 de maio. Mas, por questões de saúde, a data foi novamente modificada, com a mudança da viagem para o dia 23 desse mês. A agenda foi outra vez alterada para adiar o desembarque de Dilma para esta segunda-feira.
O mercado brasileiro tornou-se o principal destino das exportações uruguaias. Simultaneamente, o Brasil é o principal fornecedor externo do Uruguai. Em 2010 o intercâmbio comercial foi de US$ 3 bilhões, o equivalente a um aumento de 19,4% em comparação com o ano anterior.
Ex-guerrilheiros
A visita de Dilma a Montevidéu também marcará a reunião entre os dois únicos ex-guerrilheiros que chegaram à presidência de seus países na América do Sul por vias democráticas. No entanto, Mujica passou mais tempo na prisão do que Dilma, já que amargou 13 anos de torturas nos cárceres entre 1972 e 1985 (esteve preso durante um ano do governo civil e mais doze durante a ditadura militar).
Mujica, apesar do passado de guerrilheiro tupamaro, é considerado pelos economistas como um político pragmático e ''market-friendly''. Sua coalizão de governo é classificada de ''centro-esquerda moderada'' dentro do leque ideológico. O próprio Mujica, em 2009, disse ao Estado que ''a esquerda uruguaia tem peculiaridades que só funcionam no Uruguai''.

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