Brasília Mal o resultado das urnas exibiu a estrondosa votação do médico Enéas Carneiro, que recebeu mais de 1,5 milhão de votos elegendo na sua rasteira mais cinco deputados federais por São Paulo, e a reforma política voltou a ser motivo de preocupação dos parlamentares.
Desta vez, garantem, ela sairá do papel e projetos que, há mais de dois anos dormitam na Câmara, finalmente deverão ser transformados em lei. O que não se tem certeza, no entanto, é se a reforma acabará realmente com as anomalias no atual sistema eleitoral, como a que elegeu o médico homeopata Vanderlei Assis deputado federal por São Paulo, com apenas 275 votos.
''Não existe sistema eleitoral perfeito ou imune a distorções. No sistema de listas partidárias, por exemplo, o primeiro colocado, se for popular, também vai puxar votos para os demais, menos conhecidos'', adverte o deputado João Almeida (PSDB-BA), relator da reforma política.
Ele defende a adoção dos sistema de listas fechadas, com os candidatos pré-estabelecidos pelos partidos. ''Não acho que a questão do Enéas seja expressiva até porque na eleição por lista fechada também existe isso'', argumenta o líder do PDT na Câmara, deputado Miro Teixeira (RJ). ''O Enéas é uma anomalia que aparece de vez enquanto'', completa o presidente nacional do PSB, Miguel Arraes, que foi o quarto mais votado para a Câmara por Pernambuco.
O Brasil e a Finlândia são os únicos países que utilizam o sistema proporcional unipessoal, em que o eleitor vota no candidato. ''Este é o principal problema da lista aberta: ela permite que puxe os votos pessoais e quem votou no Enéas não votou no seu partido, o Prona'', observa o cientista político David Fleischer. Em sua opinião, o modelo brasileiro mantém os partidos fracos. ''O atual sistema privilegia o individualismo e o egoísmo pessoal e nunca vamos ter partidos fortes se não acabarmos com a lista aberta'', afirma.

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