Curitiba - Enquanto a vereadora Ana Maria (PT) fazia exame de corpo de delito, ontem, no Instituto Médico Legal (IML) de Ponta Grossa, o grupo político da petista ganhava a eleição para a presidência da Câmara de Vereadores. Elegeram Aliel Machado, do PCdoB, notoriamente de oposição ao prefeito eleito, Marcelo Rangel (PPS). Com a ausência de Ana Maria, houve empate entre Alysson Zampieri (PPS) e Machado, cada um com 11 votos. Sendo o critério para desempate a maior votação nominal nas eleições de 2012, Machado assumiu a presidência, pois recebeu 3.731 votos populares, contra 2.190 de Zampieri.
Ana Maria permanece detida em delegacia de Ponta Grossa, acusada de forjar o próprio sequestro. Na terça-feira, logo após a posse dos novos vereadores, ela declarou que apoiaria outro candidato da oposição, Paulo Cenoura (PSC), para a presidência da Câmara Municipal, desaparecendo em seguida. Na viagem de carro até a casa da mãe, Dona Branca, Ana Maria teria sido retirada abruptamente do veículo. Suspeitou-se de sequestro, confirmado por ligação da política horas depois, dizendo-se raptada. A notícia chegou até o Grupo Tigre da Polícia Civil, especializado em sequestros, que em menos de 24 horas decretou a prisão preventiva de Ana Maria e outras quatro pessoas, acusadas de falsa comunicação de crime, fraude processual e formação de quadrilha.
Conforme FOLHA noticiou na quarta-feira, o delegado Luiz Alberto Cartaxo, do Grupo Tigre, disse que o cruzamento de telefonemas sugere que a simulação de sequestro tenha interesses políticos. Ana Maria é prima do deputado estadual Péricles Holleben de Mello, do PT, que perdeu a disputa da Prefeitura de Ponta Grossa para Rangel por menos de 1% dos votos válidos. Cartaxo acredita que o seguimento das investigações pode levar ao indiciamento de outras autoridades. Procurado pela reportagem, o prefeito Marcelo Rangel disse estar surpreso com a situação e elogiou o trabalho da Polícia Civil. ''Eu noto que eles foram rápidos na solução. Agora é aguardar o desfecho da investigação, mas a presença da vereadora não mudaria absolutamente nada na eleição'', argumentou o político.
A oposição, de fato, foi ajudada por um voto ''errado'' do vereador Valtão (DEM), que tirou de Zampieri a vitória no primeiro turno. Na ocasião, além do candidato de Rangel e de Machado, Júlio Kuller (PSD) e Paulo Cenoura (PSC) também competiam pela presidência. Valtão voltou em Kuller, enquanto todos os demais do bloco situacionista ficaram com Zampieri. O equívoco provocou o segundo turno, quando houve o empate entre os dois candidatos. A Câmara de Vereadores de Ponta Grossa tinha apenas 15 vereadores antes dessa legislatura, quando o número subiu para 23 com a criação de oito novas vagas. Valtão acabou eleito para a 1 secretaria, segundo cargo mais importante do Legislativo.
Até o fechamento desta edição, o pedido de liberdade provisória para a vereadora Ana Maria não havia sido analisado pela Justiça e ela continuava detida em Ponta Grossa. Machado, já eleito presidente da Câmara, também considerou estranho o comportamento da petista, mas disse que isso não implicaria automaticamente na perda do mandato da parlamentar. Em entrevista para uma rádio local, ele disse que o julgamento da polícia é ''diferente do julgamento político, até por que não sabemos que tipo de pressão ela sofreu'', declarou o vereador.

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