Após seis meses, governo de Kireeff é alvo de críticas
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sábado, 29 de junho de 2013
Loriane Comel<br> Reportagem Local 
Após seis meses à frente da Prefeitura de Londrina, o governo do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) segue praticamente sem desgaste político, mas as cobranças por soluções de problemas práticos começam a aparecer assim como as críticas em relação à "gestão técnica", principal promessa da campanha eleitoral.
Para o cientista político e professor Mário Sérgio Lepre, os entraves na área técnica são visíveis e as respostas têm sido lentas. Pendências de outras administrações e novos problemas começam a aparecer de forma persistente e as soluções não têm a mesma velocidade, como buracos de ruas, infestação de pombos, falta de médicos, o fechamento do restaurante popular e ineficiência nas licitações. Serviços importantes e com preços elevados continuam sendo prestados por contratos emergenciais, como a coleta do lixo, o transporte escolar rural e o fornecimento da merenda escolar (neste caso, a licitação foi concluída, mas o contrato ainda não foi assinado). Juntos, os contratos somam cerca de R$ 40 milhões por ano.
"Na execução de ações e serviços, vemos os entraves típicos da administração pública que a promessa de gestão técnica ainda não conseguiu resolver", analisou Lepre, lembrando que Kireeff que saiu do penúltimo lugar nas intenções de voto foi eleito justamente por sua proposta de superar os problemas administrativos com a gestão técnica do município. "A dificuldade do governo está no fazer. E o governo precisa tomar cuidado, porque quem mais sente a efetividade da administração pública é quem está na ponta, como pacientes dos postos de saúde que não encontram médicos ou remédios."
Para Lepre, "gestão técnica é um bom discurso de campanha, mas, na prática, a administração revela dezenas de problemas". "Um exemplo foi o caso da alteração de zoneamento do (supermercado) Angeloni: a gestão técnica mandava vetar o projeto, porque um terreno só não pode ser alterado. Mas, politicamente, a decisão foi deixada para a Câmara."
O professor disse que ainda é possível fazer as "coisas caminharem". "Acho que seis meses é um tempo razoável para as coisas começarem a acontecer. Ainda não aconteceram, mas acho possível caminharem se o governo se mantiver coeso, sem um respingo de animosidade entre secretários e prefeito, como tem ocorrido, e neste ambiente de transparência."
Aliás, disse o professor, o ponto positivo no governo de Kireeff é a tentativa de dar transparência aos atos da administração. "O prefeito foi eleito em razão disso e acredito que ele sabe que precisa manter essa postura. Não pode escorregar nisso."


