Na sessão plenária da Câmara de Londrina realizada ontem, vereadores romperam o silêncio e resolveram se manifestar sobre a polêmica dos certificados dos servidores da Casa. A vereadora Sandra Graça (PP) apresentou requerimento para a ''suspensão imediata'' do incremento salarial de servidores que apresentarem certificados de cursos sem correlação com a atividade parlamentar. ''Esta medida tem que ser imediata'', cobrou no discurso em plenário. ''Devemos agir em relação à fiscalização interna com as mesmas regras que agimos quando fiscalizamos externamente.'' A regra que permite promoções do tipo é válida desde 2004, quando houve a discussão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) do funcionalismo do Legislativo.
Foi a primeira manifestação pública de um vereador, após reportagem da FOLHA levantar o tema, há mais de uma semana. Ontem, o assunto também foi tratado na imprensa nacional. Para a reportagem da FOLHA, o presidente da Casa, Rony Alves (PTB), afirmou que há ''imoralidade'' no benefício e defendeu medidas de correção.
Ontem, além da vereadora Sandra Graça, Lenir de Assis (PT) também solicitou providências. ''Esse assunto não é novo. Está na hora de apurar.'' Com a possibilidade de aumentar os salários, ''choveram'' documentos atestando que servidores fizeram cursos ou assistiram palestras inusitadas, algumas, inclusive, de autoajuda. Neste período, mais de três mil certificados foram validados e serviram para acúmulo de pontos e ''promoção por conhecimento''.
O assunto será tema de reunião na tarde de hoje entre os vereadores que compõem a Mesa da Câmara e uma comissão de servidores. Enquanto isso, Rony descarta o pedido de Sandra. ''É uma resolução e, se houver revogação, tem que ocorrer por meio de outro projeto aprovado na Câmara'', explicou.
Na reunião, a comissão de servidores deve apresentar uma proposta aos vereadores. Rony defende a contratação de uma auditoria para saber se os cursos realmente existiam, se foram ministrados, se houve abuso de servidores. Porém, não sabe ainda se os benefícios obtidos até agora seriam revogados ou se quem agiu de má fé seria obrigado a devolver o que recebeu por meio da promoção indevida.
A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público investiga o caso desde o final do ano passado, quando o ex-vereador Joel Garcia formalizou denúncia aos promotores de Justiça.

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