Após recomendação do MP, esposa de suplente pede demissão de cargo comissionado
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segunda-feira, 07 de maio de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
A advogada Mayra Alves, esposa de Emanoel Gomes (PRB), suplente de Filipe Barros (PSL) na Câmara Municipal, encaminhou ofício ao prefeito Marcelo Belinati (PP) pedindo exoneração do cargo comissionado que ocupava na Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres. O decreto confirmando a demissão é assinado pelo secretário de Governo em exercício, Moyses Silva Junior, e deve ser publicado na edição desta segunda-feira (7) do Diário Oficial. A informação também foi confirmada pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Londrina.

Segundo Gomes, a decisão foi tomada pela própria esposa após recomendação administrativa emitida pelo promotor Renato de Lima Castro, coordenador do Gepatria (Grupo Especializada na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa). No mês passado, ele instaurou um procedimento para apurar se houve troca de favores entre Belinati e alguns parlamentares para barrar a criação da Comissão Processante (CP) contra Rony Alves (PTB) e Mário Takahashi (PV), afastados desde janeiro do Legislativo em virtude de possível envolvimento em um esquema de corrupção entre agentes públicos e empresários para mudanças de zoneamento em Londrina.
O suposto grupo criminoso é o cerne da Operação ZR-3, ou Zona Residencial 3, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Os dois chegaram a usar tornozeleiras eletrônicas por três meses, mas tiveram o monitoramento revogado pelo juiz da 2ª Vara Criminal, Delcio Miranda da Rocha, que cuida do processo. Emanoel Gomes foi ouvido na investigação aberta pelo MP em relação à votação da CP, que foi aberta por 15 votos a quatro. O representante do PRB foi nomeado para preencher a vaga de Barros, que não poderia participar da deliberação por ser o denunciante.
"Expuseram demasiadamente minha esposa sem nenhum motivo. Não houve articulação com o Marcelo (prefeito). Ela optou em pedir a exoneração para evitar mais especulações. Foi o melhor para todos. O caso tomou proporções estratosféricas porque coincidiu justamente no período em que se discutia a criação de uma Comissão Processante na Câmara, mas não há nada de irregular", disse Gomes à FOLHA.
A CP que pode indicar a cassação ou não de Alves e Takahashi é composta por José Roque Neto (PR) como presidente, João Martins (PSL) na relatoria e Vilson Bittencourt (PSB) como membro.


