Após recesso, STF julgará Palocci e Battisti
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sábado, 01 de agosto de 2009
Márcio Falcão<br> Folhapress 
Brasília - O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma as atividades na próxima semana com a pauta cheia de questões polêmicas que colocam em lados opostos setores da sociedade e do próprio governo. São temas que passam pela tortura durante a ditadura militar, punição de políticos, pedidos de extradição e a constitucionalidade das cotas raciais em universidades.
Uma das primeiras denúncias da lista envolve o deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP), acusado de participação na quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa. Nos bastidores, ministros afirmam que faltam provas para abrir ação penal contra o deputado. A decisão do STF será importante para o futuro político de Palocci, que é apontado como uma alternativa para a disputa do PT ao governo de São Paulo.
A Suprema Corte terá que avaliar também se o processo de extradição do ex-militante italiano Cesare Battisti deve ser extinto, porque ele recebeu, em janeiro, status de refugiado político do ministro Tarso Genro (Justiça).
A discussão sobre o caso Battisti deve envolver a questão da invasão ou não do Poder Executivo nos assuntos do Poder Judiciário. A deliberação do ministro gerou mal-estar diplomático entre os governos brasileiro e italiano. A Itália chegou a pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que reconsiderasse a decisão.
Battisti está preso no Brasil desde 2007. Ele é ex-militante de um grupo chamado PAC (Proletários Armados pelo Comunismo) e foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios. Ele nega que tenha cometido os assassinatos. O italiano alega que não pode exercer em sua plenitude o direito de defesa junto à Justiça italiana, além de afirmar que as condenações decorrem de perseguição política do Estado italiano.
O STF terá que julgar ainda se cabe punição para quem praticou tortura durante o regime militar. O Ministério da Justiça e a Secretaria de Direitos Humanos defendem que os agentes do Estado sejam incluídos na Lei de Anistia porque a tortura seria um crime imprescritível.
Para o Ministério da Defesa e a Advocacia Geral da União, no entanto, a anistia brasileira foi ampla e irrestrita, o que perdoaria os crimes cometidos pelos agentes da repressão.
A ação que será julgada pelo STF foi proposta pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e também pede a abertura de arquivos ainda secretos no país.
Os ministros também terão que avaliar ainda duas ações que contestam a reserva de vagas em universidades públicas do Rio de Janeiro e no ProUni (Programa Universidade Para Todos), do governo federal.


