A Câmara de Vereadores de Londrina adiou mais uma vez a votação da Comissão Processante (CP) da Centronic contra o prefeito Barbosa Neto (PDT) para a sessão de amanhã. A bancada de oposição na Casa ainda estuda pedir na Justiça o afastamento do chefe do Executivo em função das declarações do vereador Amauri Cardoso (PSDB), que afirma ter recebido propina do ex-secretário de Governo e atual coordenador de campanha do PDT, Marco Cito, para votar contra a abertura da CP.
No início da tarde, o clima era tenso na Casa, que também contava com esquema especial de segurança e galerias lotadas. O lado pró-Barbosa das galerias queria que a votação ocorresse ainda no dia de ontem, mas a oposição ficou cerca de uma hora e meia reunida e decidiu novamente fazer um protocolo para adiar a votação da CP. O documento foi votado em plenário e recebeu o apoio de 13 parlamentares entre gritos e vaias das galerias. O que surpreendeu foi o vereador Roberto Fú (PDT), que apoiou adiar a CP, embora seja da base aliada ao prefeito.
O vereador Eloir Valença (PHS), que chegou na sessão por volta das 15h30, fez um pronunciamento no microfone sobre o pedido dos colegas. ''Na última sessão já não adiaram porque eu não estava aqui? Agora eu estou. Vamos votar logo essa investigação.'' A explicação oficial dos demais vereadores, porém, é que após as prisões, não haveria clima para que a votação fosse feita ontem.
Além da votação da CP, vários projetos importantes foram retirados de pauta. Durante todo o dia os vereadores saíram dos seus lugares, fizeram ligações e aparentavam nervosismo. O vereador Rony Alves (PTC) alegou que pretendia fazer um pedido formal de afastamento do prefeito porque ele ''estava claramente interferindo nas questões do Legislativo''. ''Mas primeiro precisamos ouvir de forma clara o jurídico (da Câmara) porque não temos dentro da Lei Orgânica ou do nosso Regimento Interno respaudo para que nós vereadores votemos isso. Temos que fazer um pedido para que a Justiça proceda esse afastamento.''
Voto surpresa
O vereador Roberto Fú surpreendeu os vereadores de oposição ao aceitar que a votação da CP fosse novamente adiada. Nos bastidores, comentava-se que a intenção dos vereadores de oposição em adiar a votação era para que as declarações do vereador Amauri Cardoso pressionassem outros vereadores a votar a favor da CP.
No entanto, Jairo Tamura (PSB) e Rodrigo Gouvêa (PTC) já sinalizaram que não pretendem mudar de voto, ou seja, são contrários à investigação. ''Isso é uma coisa diferente da votação da CP. Precisa ser averiguado, mas não muda o voto da base'', afirmou Tamura. Gouvêa tem o mesmo entendimento. Já José Roque Neto (PR), Sebastião dos Metalúrgicos (PDT) e Roberto da Farmácia do Vivi (PTC) não quiseram comentar o assunto.
Quando a sessão tinha terminado, Fú alegou no plenário que teria sido ameaçado pela irmã do prefeito, Glaucia Barbosa, de expulsão do partido por ''traição''. ''Isso é um absurdo. Ela nem é do meu partido e foi no meu gabinete dizer para meu assessor que eu era traidor. Eu vou conversar com o presidente nacional do partido e contar qual é a situação que Londrina está vivendo.''
Glaucia é assessora parlamentar do deputado federal Nelson Padovani (PSC-PR), no escritório em Londrina. Por volta das 20 horas, ela atendeu à ligação feita pela reportagem e disse que falaria mais tarde sobre o assunto porque estava em reunião, mas até o fechamento dessa edição não atendeu mais às ligações.

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