Após panelaço e perda de apoio, Bolsonaro modula discurso sobre coronavírus
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quinta-feira, 19 de março de 2020
Gustavo Uribe/Folhapress 
Um dia após ter sido alvo de um panelaço por sua postura diante da pandemia do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro modulou o seu discurso público e passou a reconhecer que a situação é grave.
Questionado pelos jornalistas sobre sua participação em manifestações do último domingo (15), contudo, não demonstrou arrependimento.
Na tentativa de mostrar que mudou de posição, o presidente reservou a sua agenda pública nesta quarta-feira (18) a reuniões e eventos sobre o assunto e promoveu entrevista à imprensa na qual enumerou iniciativas que têm sido feitas para evitar o alastramento da doença.

Em suas declarações, Bolsonaro continuou a defender a necessidade de que o país não entre em "histeria" diante do aumento de casos de contágio, mas ressaltou que a curva de de infecção preocupa. "O que nós buscamos é estender, alongar o prazo daqueles que terão o vírus. O objetivo é alongar o prazo porque o nossos sistema de saúde não tem condições de acolher uma quantidade considerável de atender pessoas, em especial idosos", disse. Bolsonaro também disse que não há clima para protestos nas ruas.
"É grave e é preocupante, mas não devemos entrar no campo da histeria ou da comoção nacional", afirmou. "Não há clima para alguém pensar em manifestação. A realidade vai chegando aos poucos", disse.
Em um contraponto aos ataques que desferiu desde a semana passada contra o Poder Legislativo, Bolsonaro passou agora a fazer fez elogios públicos ao Congresso e convocou uma reunião com os presidentes da Câmara e do Senado. Nenhum dos dois, porém, compareceu.
O senador Davi Alcolumbre foi diagnosticado com coronavírus e está em isolamento. Já o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse que tinha a agenda cheia e pediu que o governo apresentasse uma pauta mais concreta para o encontro. Nas últimas semanas, o gabinete digital do Palácio do Planalto identificou, segundo auxiliares presidenciais, críticas até mesmo entre perfis de direita à postura do presidente de minimizar a crise de saúde. A desmobilização nas redes sociais se somou aos panelaços promovidos terça-feira (17) e ontem em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Segundo deputados aliados, o tamanho da manifestação surpreendeu o presidente.
CALAMIDADE
O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (18), o pedido de reconhecimento de calamidade pública enviado pelo governo federal diante da pandemia de coronavírus. A proposta, que segue para o Senado Federal, permite que o Executivo gaste mais do que o previsto e desobedeça às metas fiscais para custear ações de combate à pandemia. (Com Agência Câmara de Notícias)


