No momento da invasão, perto das 10h15, houve tumulto e pelo menos quatro pessoas ficaram feridas. Greve dos servidores foi suspensa temporariamente
No momento da invasão, perto das 10h15, houve tumulto e pelo menos quatro pessoas ficaram feridas. Greve dos servidores foi suspensa temporariamente | Foto: Chico Camargo/CMC


Após a ocupação do plenário por um grupo de cerca de 30 servidores, que durou mais de seis horas, a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) transferiu para a próxima segunda-feira (26) a votação de um pacote de medidas de ajuste fiscal, apresentadas pelo prefeito Rafael Greca (PMN). O prédio amanheceu cercado por policiais militares. Os trabalhadores, em greve desde o dia 12 de junho, protestavam com um caminhão de som e palavras de ordem, como "retira", "retira".

No momento da invasão, perto das 10h15, houve tumulto e pelo menos quatro feridos, conforme o Corpo de Bombeiros. Policiais usavam cassetetes e spray de pimenta. A CMC informou que desde o início da semana dez pessoas procuraram cuidados médicos na Divisão de Programas de Saúde do próprio Legislativo, queixando-se de falta de ar, entre outros sintomas. Um guarda municipal sofreu um corte na cabeça e chegou a ser encaminhado ao hospital.

Apesar do tumulto do lado de fora, o pequeno expediente transcorria normalmente, com quórum de 37 dos 38 parlamentares. Só depois de quatro horas de reunião com integrantes da base governista que o presidente da Casa, Serginho do Posto (PSDB), interrompeu os trabalhos. A conversa com os sindicatos foi mediada pelos vereadores Professor Euler (PSD), Goura (PDT), Cacá Pereira (PSDC), Professora Josete (PT), Noemia Rocha (PMDB) e Silberto (PMDB).

A pedido do tucano, a juíza Patrícia de Almeida Gomes, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, concedeu novo mandado de reintegração de posse da Câmara e subiu de R$ 50 mil para R$ 100 mil a multa diária em caso de descumprimento. Por volta das 16h50, os trabalhadores decidiram, em assembleia, também suspender a greve até segunda-feira (26) e desocupar o plenário. Eles saíram pela porta da frente do Palácio Rio Branco, entoando frases de efeito. A expectativa é de que retornem ao trabalho já nesta quarta-feira (21). O acordo final foi acompanhado pelo procurador de Justiça Olympio de Sá Sotto Maior Neto e pela promotora Mariana Bazzo, do Ministério Público (MP).

A coordenadora-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc), Irene Rodrigues, afirmou que a luta da categoria continua. "Quando a gente acredita no que defende, não há barreiras capazes de impedir. Nossa luta é justa, principalmente porque não é uma luta por salários. Queremos que os serviços públicos funcionem. Com essas medidas do prefeito, num prazo muito curto de tempo o serviço será prejudicado. Quando ele limita a folha a 70% daquilo que a prefeitura vai arrecadar no próximo ano, ele está proibindo novas contratações e o avanço do serviço."

'MÃOS AMARRADAS'

Em vídeo postado em suas redes sociais, Greca disse que o conjunto de medidas foi montado por ele e sua equipe para tornar a cidade "maior do que as dificuldades", garantindo que não caia num buraco "como Porto Alegre ou o Rio de Janeiro". Segundo ele, o plano em nada prejudica os servidores e garante as aposentadorias.

O prefeito também chamou os episódios verificados em frente e dentro da Câmara de Vereadores de "terceiro turno de eleição", fruto de "egoísmo e avareza". "Estão negando a devolução da prefeitura ao nosso povo. As minhas mãos estão amarradas. Ao fazer o plano de recuperação, eu cumpro com as minhas promessas de campanha e ofereço à cidade o que eu sei fazer de melhor, que é fazer direito o meu oficio de prefeito."

MEDIDAS

Essa foi a segunda suspensão da votação do plano, apelidado de "pacotaço". A primeira ocorreu na terça-feira da semana passada (13), também em decorrência das manifestações. Os quatro projetos de lei estão tramitando em regime de urgência e, por isso, "trancam" a pauta. Nenhuma outra matéria pode ser analisada enquanto eles não passarem pelo plenário ou forem retirados.

Estão em discussão: a alteração da previdência dos servidores municipais (005.00194.2017), o congelamento das carreiras (005.00196.2017), o leilão de dívidas (005.00198.2017) e a Lei de Responsabilidade Fiscal do Município (002.00020.2017). Se aprovadas, as mudanças devem afetar 30 mil funcionários públicos na ativa e mais 16 mil aposentados e pensionistas.

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