Após nova denúncia de propina Jacks repete defesa e fala pouco
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quinta-feira, 06 de maio de 2010
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Em entrevista coletiva realizada para falar sobre a segunda denúncia de cobrança de propina em menos de um mês, o vereador Jacks Dias (PT) repetiu estratégia que já adotara anteriormente: negou tudo, com o cuidado de não ser levado pelo próprio discurso. Em todo o tempo esteve acompanhado pelo advogado do partido, João dos Santos Gomes Filho.
A nova denúncia apurada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) dá conta de que no período em que o petista era secretário municipal de Gestão Pública - entre 2005 e 2007 - teria exigido R$ 80 mil mensais da empresa de segurança privada Centronic, que prestou serviços de vigilância para a Prefeitura entre agosto de 2006 até abril deste ano. O vereador já responde a um inquérito no mesmo órgão que também investiga a denúncia de que ele teria exigido quantias mensais das proprietárias da empresa Sertcon, que prestava serviços de limpeza para a Autarquia Municipal de Saúde. Os pagamentos teriam ocorrido entre 2006 e 2008.
Jacks disse que foi surpreendido pela segunda denúncia e que teve acesso apenas ao que circulou ontem na imprensa. ''Não conheço quem fez a denúncia, nunca vi e vários dos pontos colocodos (nos jornais) não correspondem à verdade'', garantiu. Ao ser questionado se teve ou mantinha contatos com a Centronic ou seus diretores, o vereador foi interrompido por Gomes Filho: ''Ele pode responder tranquilamente, mas esta é uma situação que só existe na imprensa e no inquérito policial, que nós ainda não conhecemos. Se eu emitir juízo de valor aqui estaria sendo irrresponsável. Vou pedir para os senhores a mesma paciência que pedi lá no meu escritório (quando houve a coletiva sobre a primeira denúncia)''.
O vereador negou que ele ou o partido tenham recebido doações da Centronic. Admitiu, por outro lado, ter feito campanha junto aos vigilantes desta e de outras empresas. Ele e seu defensor reafirmaram que estão à disposição da Justiça e que têm interesse em abrir seus sigilos fiscal, bancário e telefônico para facilitar as investigações.
Sobre o fato de a Centronic ter assinado contrato com a Prefeitura mesmo após ter sido declarada inidônea pela Prefeitura de Curitiba - o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal -, o vereador respondeu que não tinha como saber disso porque não existe nenhum cadastro ou registro nacional que forneça este tipo de informação. O contrato foi rescindido em 30 de abril deste ano.
Jacks comentou ainda que as denúncias não atrapalharam sua atuação como vereador. Informações de seu gabinete dão conta de que o petista teria faltado a quatro sessões no mês de abril, todas elas justificadas.


