Após dois meses, Assembléia pode instalar CPI do Grampo
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terça-feira, 21 de novembro de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Faltando menos de um mês para o fim das sessões plenárias, os deputados estaduais deverão instalar hoje uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar suposto envolvimento de integrantes do governo com escutas telefônicas ilegais. A instalação da chamada ''CPI do Grampo'' foi aprovada na Casa cerca de dois meses atrás. Mas somente ontem as lideranças dos partidos na Assembléia Legislativa indicaram os nomes (veja quadro) dos sete membros que irão compor a CPI.
Ontem o presidente da Casa, deputado estadual Hermas Brandão (PSDB), também informou que a CPI do Grampo deverá investigar, além da atual gestão do governador reeleito Roberto Requião (PMDB), as duas gestões anteriores, do ex-governador Jaime Lerner. É que o tucano, que pertence à ala do PSDB que apóia Requião, juntou dois requerimentos que circulavam na Casa. Um proposto pelo líder da oposição, deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB), e o outro de autoria do peemedebista Nereu Moura.
A idéia de se criar a CPI do Grampo foi defendida primeiro pelos parlamentares de oposição ao governador reeleito. O argumento da oposição tem como base a ação realizada no início de setembro pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC), órgão vinculado ao Ministério Público (MP). A ação resultou na prisão do policial civil Délcio Rasera, que estava cedido ao Palácio Iguaçu, e é apontado pelo MP como o ''comandante'' de uma suposta quadrilha especializada em grampos clandestinos.
A base aliada argumentou que se tratava de uma CPI com fins políticos, já que havia sido proposta cerca de 15 dias antes das eleições de 1º de outubro. E sugeriu que as investigações atingissem os últimos 12 anos do Executivo, para tratar de supostos grampos clandestinos realizados no governo Lerner. ''Em 2001 a gente ouvia dizer que tinha uma central de escuta ilegal que funcionava no terceiro andar do Palácio Iguaçu. Mas na época a gente não conseguiu investigar'', afirmou o deputado estadual Nereu Moura (PMDB).
Para a oposição, porém, trata-se de uma manobra dos governistas. ''Eles querem tirar o foco de cima deles'', acusou o deputado estadual Plauto Miró (PFL), um dos membros da CPI do Grampo. ''A nossa proposta era investigar o caso Rasera'', reclamou Rossoni.
Ninguém sabe, porém, quanto tempo os membros da CPI do Grampo terão para concluir as investigações. Na opinião do presidente da Casa, o tempo se encerra no final do atual mandato legislativo, em fevereiro do próximo ano. As sessões extraordinárias encerram dia 15 de dezembro, quando se inicia o recesso parlamentar. Rossoni e Moura, reeleitos em outubro, acreditam porém que os trabalhos da CPI do Grampo podem continuar no próximo mandato legislativo. Bastaria a aprovação de um requerimento solicitando a prorrogação das investigações, e também a substituição dos membros da CPI que não se reelegeram.


