Curitiba - Após ter sido derrotado na votação da Proposta de Emenda Constitucional que pretendia vincular benefícios fiscais à geração ou manutenção de empregos na Assembleia Legislativa na sessão da última quarta-feira, o líder do governo na Casa, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) anunciou ontem que a bancada deverá apoiar uma outra PEC que trata do mesmo assunto proposta pelo deputado Marcelo Rangel (PPS), que integra a bancada de oposição.
  O novo projeto, que havia sido anunciado por Rangel antes da votação, foi feito com base na PEC proposta pelo governo com a diferença de limitar a perda dos benefícios fiscais e creditícios apenas a empresas que demitirem mais de cem funcionários. De acordo com o deputado o novo texto garantirá que apenas as grandes empresas que recebem incentivos fiscais sejam atingidas pela legislação e evitar que a medida seja aplicada a pequenas e médias empresas que passam por dificuldades financeiras.
  Romanelli, que ontem atribuiu a derrota do governo à oposição – mesmo que cinco deputados da base aliada estivessem ausentes da votação –, hoje defendeu que as diferenças políticas não devem interferir em votações que visam o bem público. ‘‘Nós não podemos recuar. Não podemos fazer do embate aqui entre situação e oposição, entre a divergência entre as nossas filosofias e por isso cometer prejuízos ao trabalhador’’, argumentou.
  O deputado disse que iria conversar com os outros 31 deputados que votaram favoráveis a medida e assinou o apoio a nova PEC. Romanelli, no entanto, acredita que ainda deverão ocorrer mudanças no texto proposto. Ele disse que já era favorável a uma emenda que deixasse mais claro se tratar de demissões coletivas, mas que o texto ainda deverá ser estudado.
Audiência pública
  O autor da nova PEC, Rangel, acusou o governo de tentar aprovar seus projetos ‘‘a toque de caixa’’. Ele mesmo defendeu a realização de audiências públicas para discutir a alteração na legislação com a sociedade. ‘‘A lei será bem discutida, bem elaborada, com os erros discutidos e sanados’’, disse.
  A realização de audiências também foi apoiada pelo deputado Tadeu Veneri. Para ele, a derrota da bancada que detém a maioria dos parlamentares ontem, abre espaço para reflexão e para uma nova proposta onde os projetos compreendam debates mais profundos que envolvam os 54 deputados.
  Veneri citou como exemplo de projeto que mereceria maior debate a compra de um terreno pelo governo estadual que pretende transformar a área em estacionamento e jardins do Centro Judiciário. ‘‘Eu acho que o resultado de ontem põe um ponto de interrogação sobre aquela teoria de obediência devida, porque a obediência devida pode funcionar nos quartéis mas não na política’’, criticou.
  Questionado, Romanelli disse que concorda com a realização de audiências para discutir o assunto. ‘‘Eu acho bom. É importante’’, resumiu.

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