Após convenção, bancada do PMDB ainda ensaia discurso
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - Três dias depois da convenção que lançou o nome de Roberto Requião (PMDB) à disputa ao governo do Estado, os peemedebistas da Assembleia Legislativa (AL) ainda se mostravam divididos ontem. Embora o discurso oficial seja de apoio ao candidato do partido, alguns correligionários que defendiam a aliança com o PSDB admitiram que terão dificuldades de fazer campanha pelo senador. Nos bastidores, aliados do governador Beto Richa (PSDB) também se questionavam sobre quem teria "traído" a tese da coligação, tida por eles como favorita.
Quando a sessão plenária começou, pelo menos cinco parlamentares favoráveis à união com os tucanos estavam ausentes: Caíto Quintana, Luiz Eduardo Cheida, Stephanes Jr., Teruo Kato e Nereu Moura. Destes, apenas o último, que é o líder da bancada, compareceu mais tarde à votação. A AL possui 13 deputados do PMDB, sendo que somente dois - Anibelli Neto e Cleiton Kielse -, apoiavam publicamente Requião.
"Eu integrei o governo do Beto, temos uma relação de amizade e confio nele. Mas tenho de respeitar a legislação eleitoral", disse Luiz Cláudio Romanelli, ex-secretário de Estado do Trabalho e Economia Solidária. Segundo ele, sua única preocupação agora será com a própria reeleição. "Vou me dedicar de forma intensa, até porque devemos reduzir pela metade a bancada, para seis ou sete. Com isso, precisaremos fazer muito mais votos", afirmou. "Estou tranquilíssimo (com o resultado). Mas deixem passar 72 horas primeiro. Amanhã (hoje) eu falo", desconversou Alexandre Curi, um dos interlocutores junto ao governador.
Kielse e Anibelli, por sua vez, fizeram discursos a favor do senador. "A luta não foi fácil, mas dormimos em berço esplêndido com a convicção de que fizemos a coisa correta", comemorou o primeiro. "Conclamo todos os deputados, em uma demonstração de humildade e reconhecimento da vitória da candidatura própria, a se somar com a gente a partir do dia cinco de julho (quando conforme a legislação inicia a campanha eleitoral)", pediu Anibelli.
Conforme a ata da convenção, o PMDB terá 12 candidatos a deputado federal e 19 a federal. Para Nereu Moura, o ideal seria aumentar esse número, de forma a garantir que cada região do Estado conte com ao menos um peemedebista eleito. "Temos de ter a musculatura necessária para formar uma boa chapa. Vamos marcar uma reunião com o Requião e discutir isso", afirmou.
Moura falou ainda que a hora não é de buscar culpados. "Apoiei a coligação e agora vou apoiar o candidato do partido", garantiu. Na sexta-feira, 319 delegados votaram pela candidatura própria e 250 pela aliança. "Ou seja, a desobediência foi generalizada. Os comandados não seguiram os comandantes", opinou.


