Após cinco desistências, Costa será relator do processo
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quinta-feira, 12 de abril de 2012
Agência Estado 
Brasília - Após cinco desistências, o Conselho de Ética do Senado escolheu ontem o senador Humberto Costa (PT-PE) para ser o relator da representação do PSOL que pediu a quebra de decoro parlamentar do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de envolvimento com o empresário do ramo de jogos ilegais, o Carlinhos Cachoeira.
O primeiro escolhido por sorteio foi o senador Lobão Filho (PMDB-MA), ausente da reunião. Coube ao líder do seu partido, Renan Calheiros (AL), avisar que o parlamentar declinava da missão. Em seguida, foi sorteado o líder do PTB na Casa, Gim Argello (DF), que presente à reunião, desistiu da função. ''Por foro íntimo, eu declino'', disse, lacônico.
Foi aí que na terceira escolha surgiu o nome do senador Ciro Nogueira (PP-PI), também ausente da reunião. Os senadores chegaram a considerar Nogueira como o indicado, até que ele telefonou para o presidente do colegiado, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), recusando a escolha durante a ligação.
''Tem uma missão importante aqui'', disse Valadares a Nogueira. ''Onde é que você se encontra?'', perguntou. Mas, ao final do telefonema, o presidente do conselho anunciou que Nogueira recusara a indicação. ''Já que ninguém quer ser o relator, quem quer ser o presidente?'', brincou Valadares, para gargalhada de toda a comissão.
Diante do impasse, o presidente chegou a sugerir a suspensão do encontro. Mas decidiu prosseguir o sorteio. Em seguida foram escolhidos, os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL) e recusados de pronto. ''Presidente, eu declino desta indicação'', disse Jucá. ''Por uma questão de foro íntimo, eu declino da indicação'', afirmou Renan, desafeto antigo de Demóstenes.
Antes de Humberto Costa ser escolhido, Valadares fez até uma brincadeira. ''Agora vai!'', afirmou, para mais risos. O petista, o sexto sorteado, aquiesceu. ''Está aceito, senhor presidente!'', afirmou, para aplausos dos integrantes da comissão.
Demóstenes tem dez dias para apresentar sua defesa à representação. Caberá a Humberto Costa, como relator, instruir o processo e fazer um parecer em que pode sugerir a absolvição do parlamentar ou aplicação de sanções que podem chegar à cassação do mandato.


