Após anunciar reforma, Senado não exonera nenhum diretor
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terça-feira, 24 de março de 2009
Eugênia Lopes<br> Agência Estado 
Brasília - Uma semana depois de anunciar a redução pela metade dos 181 cargos de diretores, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não exonerou ninguém até agora. Nem mesmo os 50 diretores, que tiveram seus nomes divulgados na última sexta-feira, dia 20, foram afastados de seus cargos. E a maquiagem nos cortes de pessoal e de gastos do Senado deverá continuar: Quatro ou cinco diretores da lista de 50 exonerados serão mantidos e parte dos cargos de direção será transformada, com seus ocupantes recebendo gratificação, que terá valor inferior à paga hoje aos diretores.
Em nova versão sobre o enigmático organograma, anunciada ontem, o Senado não tem mais 181 diretorias: agora são 38 secretários com status de diretor, além de cinco cargos da cúpula administrativa da Casa. O restante, 138 cargos, são mesmo de diretorias de fantasia, conforme definiu o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI). Segundo ele, a ideia é enxugar a estrutura da Casa e reduzir para 20 secretarias, no máximo, o número de diretorias no Senado. Essa era a estrutura existente no Senado em 2001.
Apesar de participar da reunião da Mesa que decidiu pelo corte, o presidente Sarney preferiu manter-se distante da imprensa, não participou do anúncio das novas medidas e promessas, e avisou que não falará mais sobre problemas administrativos e de pessoal da Casa.
Esse número de 181 nunca existiu. Estamos falando em números reais de 38 diretorias e a nossa meta é que elas fiquem entre 14 e 20 diretorias, afirmou o primeiro-secretário. Pelos seus cálculos, essa redução significará um corte de gastos de R$ 1 milhão por mês na folha de pagamento do Senado, que totaliza R$ 2,2 bilhões de despesas ao ano.
Heráclito Fortes afirmou que os 50 diretores que tiveram sua exoneração anunciada na semana passada, dia 20, serão afastados oficialmente do cargo na quinta-feira, depois da reunião da Mesa Diretora do Senado. Essas exonerações dependem de ato da Mesa, explicou o primeiro secretário. O novo organograma do Senado, com menos diretorias, também deverá ser aprovado na reunião da Mesa.
A redução dos 138 cargos de diretor de fantasia só ocorrerá, depois dos cortes nas 38 secretarias. Primeiro vamos reduzir na cabeça, para depois reduzir no corpo, sintetizou o diretor-geral interino do Senado, Alexandre Gazineo. Haverá uma diminuição expressiva nesses cargos, garantiu. Ele disse que alguns desses cargos de diretor serão transformados para um nível menor, mantendo gratificações para seus ocupantes. Gazineo explicou ainda que haverá recriação de alguns dos 50 cargos de diretores exonerados para não colocar em choque a continuidade administrativa. É o caso de alguns cargos técnicos, como advocacia e do Prodasen, afirmou o diretor.
Foi dado prazo de 30 dias para que os estudos da nova estrutura do Senado sejam concluídos. O novo organograma deve ficar pronto em um mês, confirmou o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). Segundo o diretor Gazineo, um funcionário de carreira de nível superior no Senado recebe, em média, R$ 11,8 mil mensais. Ele reconheceu, no entanto, que há casos de servidores com salários de R$ 35 mil, que são atingidos pelo chamado abate-teto - corte do salário superior a
R$ 24,5 mil. Esses salários de R$ 35 mil são heranças de legislações passadas que permitiam incorporações sucessivas, disse o diretor.


