Paris, França - O ex-banqueiro Salvatore Cacciola conversou longamente com a Polícia Federal (PF) na primeira parte da sua viagem de extradição de Mônaco para o Brasil. ''Ele está se explicando, dando sua versão do que aconteceu'', disse ontem à reportagem um dos integrantes da equipe da PF. Cacciola deixou a prisão onde passou os últimos dez meses, em Mônaco, às 13h30 de ontem (8h30 no Brasil) e foi de helicóptero para Nice. De lá, partiu às 16h45 para Paris, onde a equipe da PF despistou a imprensa. Ele deveria embarcar às 22h para o Rio, onde deve chegar às 5h de hoje (horário de Brasília). O presidente do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Gomes Barros, concedeu liminar à defesa Cacciola proibindo a polícia de algemar o ex-banqueiro. De acordo com o STJ, o ministro Gomes Barros considerou que devido à idade (64 anos), Cacciola não representaria risco aos policiais que iriam acompanhá-lo. E por isso não há a necessidade de algemá-lo.
Aparentemente tranquilo, de calça jeans, camisa pólo branca, óculos escuros, tênis e com um relógio no pulso (mas não algemas), o ex-banqueiro quase não parou de falar no vôo de Nice a Paris, de pouco mais de uma hora de duração. Cacciola não quis falar com repórteres que acompanhavam o vôo, lotado. Acompanhavam o ex-banqueiro dois delegados, um agente e um representante da PF na Embaixada do Brasil em Paris, além do assessor especial do Ministério da Justiça para extradições, Rodrigo Sagastume, e de mais duas pessoas.
A chegada de Cacciola hoje ao Rio encerra mais um capítulo de uma das histórias mais marcantes do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). O ex-banqueiro, que virou símbolo do tumultuado processo de desvalorização do real no início de 1999, era dono do banco Marka e fez operações que resultaram num prejuízo de R$ 1,6 bilhão para o governo (o que na época equivalia a quase US$ 1,6 bilhão), que teve de intervir para evitar uma ''crise sistêmica'' no mercado.

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