Após 3 gestões, Mílson Dias deixa Controladoria
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de janeiro de 2010
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
Após uma gestão marcada por auditorias que constataram irregularidades na própria máquina pública municipal, o servidor público Mílson Ciríaco Dias, 54, deixou ontem, a pedido dele próprio, o cargo de controlador-geral da Prefeitura de Londrina. Dias estava no cargo desde 2007, de modo que, além da atual gestão, foi o homem-forte da Controladoria também no final da administração de Nedson Micheleti (PT) e no período de interinidade de José Roque Neto (PTB), nos quatro primeiros meses do ano passado. No lugar dele, assumiu o também servidor público Luiz Nicacio, 41 anos, que desde desde 2007 chefiava o setor de Contabilidade.
Nicacio atua na área pública desde 1985, mas ingressou por concurso na Prefeitura de Londrina em 2006. Contador e pós-graduado em Controladoria e Administração Pública, o novo controlador também leciona na área em universidades particulares e na Universidade Estadual de Londrina (UEL). A Controladoria-Geral foi criada no final de 2004, exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). É esse, por exemplo, o órgão municipal responsável por ações que vão desde a fiscalização de tarefas relacionadas à LRF, como licitações e confecção de contratos, em âmbito interno, às medidas de controle externo relacionadas ao Legislativo municipal ou ao Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR).
O novo chefe da Controladoria prevê ações centradas no que chama de transparência dos atos do Executivo, face à comunidade, como cerne do trabalho a ser continuado e mesmo desenvolvido daqui em diante - uma vez que, avaliou, encontra a pasta ''muito bem estruturada, com funcionários altamente capacitados. Queremos só dar nosso toque especial''.
Por esse ''toque'', Nicacio citou a implementação de medidas que visem a melhorar o fornecimento de informações contábeis, gerenciais e financeiras a outros órgãos, para tomada de decisões, e as ações de transparência. ''Precisamos ouvir a comunidade, uma vez que a Controladoria é que dá a formatação às audiências públicas realizadas, e estas andam tendo um número muito pequeno de participantes. Além disso, apesar de a Prefeitura dispor de vários instrumentos de transparência, precisamos centralizar isso tudo em um único portal'', afirmou.
Indagado sobre procedimentos em andamento que ficam para o sucessor, Dias citou duas auditorias que avaliou como as mais substanciais: uma, no âmbito da Autarquia Municipal de Saúde (AMS), referente aos pagamentos de incentivos de plantão à distância dos hospitais filantrópicos. O outro, com investigação mais avançada, se refere aos pagamentos de horas-extras a funcionários da Educação. Conforme a FOLHA noticiou mês passado, a Gestão mandou para a Controladoria os casos de dois professores que, em dezembro de 2008, receberam em pecúnia, juntos, cerca de R$ 35 mil só em horas complementares. Nicacio declarou que hoje, após reunião com a Diretoria de Auditoria do órgão, saberá quando serão entregues os relatórios das duas apurações.


