Com a presença de todo o primeiro escalão, o prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), fez ontem de manhã um balanço dos 100 primeiros dias de sua administração: ''Foi um período de resolver as emergências e fazer o planejamento. Agora vamos nos ater às deficiências, mas, adianto que não são soluções a curto prazo'', declarou Kireeff. ''E a principal deficiência talvez seja na área de recursos humanos'', completou o prefeito.
Levantamento feito pela Secretaria de Planejamento com base em dados fornecidos por todas as secretarias municipais indica deficit de 2.469 servidores. Os secretários pediram 1.513 funcionários para 2013 e 956 para o ano que vem. Os maiores desfalques estão nas pastas de Educação e Saúde, que precisam respectivamente de cerca de 1,2 mil e 830 servidores. A meta - se houver possibilidade orçamentária e recursos financeiros - é contratar este ano 564 para a Educação e 432 (sendo 321 reposições de temporários) para a Saúde, cujo projeto que cria os cargos já está tramitando na Câmara.
Também podem ser contratados este ano servidores para a Procuradoria-Geral do Município (PGM) e para a Gestão Pública, que juntas precisam de 34 profissionais e, por enquanto, estão descartados novos cargos este ano para qualquer outra secretaria. ''Gestão e Procuradoria também são prioritárias porque a falta de estrutura delas compromete a prestação dos demais serviços'', avaliou Kireeff. ''Mas é importante ressaltar que as contratações vão ocorrer se e somente se houver capacidade orçamentária e disponibilidade financeira'', frisou o secretário de Planejamento, Daniel Pellisson. ''O que não for possível contratar este ano, vai constar do PPA (Plano Plurianual), para os próximos quatro anos.''
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos (Sindserv), Marcelo Urbaneja, que acompanhou o balanço dos 100 dias, afirmou que considera positiva a gestão técnica, mas credita que a defasagem de servidores seja maior. ''É um diagnóstico hoje, mas há um crescimento vertiginoso da cidade. Esse número ainda é superficial. Se quisermos um serviço público de qualidade, teremos que ter mais contratações'', opinou, salientando que as prioridades da administração devem ser contratações na Saúde e Educação.

Comissionados
Enquanto faltam servidores concursados, sobram comissionados. São cerca de 110, se considerados os 35 da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Segundo a companhia, 31 deles são concursados e exercem funções gratificadas de direção, chefia e assessoramento. Isso, porém, para o prefeito Alexandre Kireeff, é excessivo e distorcido. ''No meu entendimento, é uma política salarial e não uma política de cargos comissionados'', disse ele. Kireeff explica que esses comissionados ''são pessoas que, a rigor, não são cargos de confiança, pois fazem tarefas corriqueiras do dia a dia''. ''Já solicitei ao Geirinhas que analise a possibilidade de extinção desses cargos comissionados porque do ponto de vista administrativo não tem nenhum sentido.''
Na administração direta, o prefeito disse que não há a intenção de reduzir cargos em comissão, que são cerca de 75. O número de comissionados poderá aumentar. Kireeff deve nomear um administrador para cada um dos oito distritos rurais. ''Depende do decreto que vai normatizar atribuições e responsabilidades desses administradores distritais'', explicou.

Estrutura
Além da defasagem de pessoal, outro motivo comum de reclamação dos secretários municipais é a falta de estrutura, como prédios mal conservados, móveis desgastados, ausência de ar condicionado e computadores obsoletos. Kireeff disse que pouco poderá ser feito este ano em razão da falta de recursos. ''Existe poucos recursos para isso. No nosso PPA haverá previsão para manutenção de equipamentos e estrutura'', disse o prefeito.
Pellisson, por sua vez, explicou que em 120 dias sua pasta vai concluir o Plano Estratégico de Tecnologia da Informação e Comunicação (Petic), um inventário sobre equipamentos de informática e programas de computador que o município dispõe. ''É um diagnóstico para sabermos onde estão os problemas e como reestruturar. O estudo fica pronto em 120 dias, mas não temos previsão para implementá-lo.''

Eficiência
Para atender às demandas de estrutura e pessoal, o prefeito espera arrecadar mais e reduzir despesas, medidas integrantes de dois pacotes administrativos lançados nestes 100 dias. ''Vamos nos manter fiéis aquilo que foi proposto durante o processo eleitoral, que é gestão técnica, a busca por desenvolvimento econômico, e criar um ambiente propício para oferecer o serviço público de qualidade'', afirma.
Kireeff acrescenta que seus projetos a longo prazo não incluem as chamadas ''grandes obras''. ''Vamos reestruturar processos administrativos, recompor os recursos humanos, equilibrar as contas, implementar as estruturas de saúde, educação e mobilidade urbana, deixando a prefeitura em ordem.''

Imagem ilustrativa da imagem Após 100 dias, Kireeff mira no deficit de servidores
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