Apoio tucano a Marta proíbe voto a Maluf
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sexta-feira, 06 de outubro de 2000
Elizabeth Lopes e Paulo San Martin Agência Estado De São Paulo 
O inimigo é o Maluf. Com esta frase, repetida sucessivamente pelo governador Mário Covas, por Geraldo Alckmin e pelo presidente do diretório municipal do PSDB, João Câmara, os tucanos selaram na quinta-feira à noite o apoio à candidatura da petista Marta Suplicy ao segundo turno das eleições em São Paulo. A nota oficial de apoio, lida por Alckmin, o candidato derrotado do PSDB no primeiro turno das eleições, proíbe os militantes do partido de realizarem qualquer manifestação que possa ser interpretada como apoio ao candidato Paulo Maluf e recomenda que votem em Marta Suplicy. O PSDB quer que seus militantes peçam votos para a candidata do PT, afirmou Covas.
Na nota, dirigida aos militantes do PSDB na Capital, a Executiva do partido reitera o que chama de profundas e notórias divergências doutrinárias, conceituais e políticas com o PT. Mas afirma que repudia, vigorosamente, a candidatura de Paulo Maluf, que significa a negação da democracia, da ética e da justiça social.
A decisão foi anunciada depois de mais de duas horas de reunião entre os cardeais do partido em São Paulo, a Executiva Municipal, o presidente da Executiva Estadual e representantes dos diretórios regionais. Ao final da reunião, Covas afirmou que a decisão não representa qualquer aproximação dos tucanos com o PT.
Covas fez questão de deixar claro que a posição foi tomada por motivos conjunturais. Assim que o PT estiver na prefeitura, faremos oposição. Retribuiremos com a mesma moeda com que eles nos pagam na Assembléia Legislativa. Mas não jogaremos pedras e nem daremos pauladas na cabeça de ninguém, disse ele, referindo-se às agressões que recebeu de manifestantes, supostamente petistas, durante a greve dos professores.
Para o governador, não há nenhum tipo de acordo entre PSDB e PT por trás da decisão. Não queremos nada dos petistas, afirmou. Mas, nem ele e nem Alckmin descartaram a possibilidade de subir no palanque da candidata petista. Covas foi reticente: Pelo que vimos no decorrer da campanha, nós é que não somos bem vindos no palanque do PT. Alckmin avaliou que o segundo turno das eleições em São Paulo deverá ser agressivo e violento.
A decisão de pedir votos para a candidata petista não foi unânime. Antes da reunião, o diretório regional do PSDB no Tatuapé (Zona Leste) distribuiu panfleto intitulado A verdade sobre o apoio do PT a Covas.
O panfleto afirma que o PT optou pela neutralidade durante as eleições de 1998 para o governo do Estado, quando Covas enfrentou e venceu Maluf. E desfia frases pronunciadas por petistas como José Dirceu, Renato Simões, Luiz Inácio Lula da Silva e a própria Marta sobre um possível apoio à Covas. Dirceu condenou até a tese de vetar o voto em Maluf e liberar quem quisesse apoiar Covas, diz o panfleto. Depois da leitura da nota de apoio, Covas não deixou de lembrar o episódio. Ao contrário dos petistas, nós descemos do muro e tomamos uma decisão, afirmou.
O coordenador da campanha do PT em São Paulo, Rui Falcão, afirmou ontem à noite que a decisão do PSDB de dar apoio oficial a Marta Suplicy, neste segundo turno das eleições, é uma demonstração muito positiva e corresponde às expectativas do Partido dos Trabalhadores. Faremos a campanha unidos para confirmar a vitória e, em seguida, devemos discutir as propostas de governo e os temas futuros com os partidos que nos apoiaram maciçamente.


