Apoio do Brasil ao Irã será abordado por Obama
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quinta-feira, 17 de março de 2011
Denise Chrispim Marin e Lisandra Paraguassu <br> Agência Estado 
Brasília e Washington - A decisão do governo Dilma Rousseff de manter o apoio do Brasil ao programa nuclear iraniano será abordado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante o encontro de sábado no Palácio do Planalto. Trata-se de uma questão com potencial de interferir negativamente no projeto dos dois países de resgatar a relação bilateral da inércia dos últimos oito anos. ''O tema do Irã certamente se tratará entre os presidentes'', afirmou Daniel Restrepo, conselheiro adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca para Assuntos Hemisféricos, com o cuidado de não responder diretamente à pergunta sobre as implicações dessa posição brasileira.
Restrepo preferiu chamar a atenção para a preocupação expressa pela presidente Dilma Rousseff sobre as violações dos direitos humanos no Irã - uma mudança em relação à posição do governo de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Também reiterou o fato de o Brasil ter adotado as sanções adicionais ao Irã aprovadas em junho do ano passado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas - apesar do voto brasileiro contrário. O secretário-assistente para assuntos do hemisfério ocidental, Arturo Valenzuela, afirmou que os dois países estão avançando em relação ao Irã e disse acreditar que ''estamos de acordo que há temas no Irã que preocupam os dos países''.
Na manhã de ontem, o chanceler brasileiro, Antonio de Aguiar Patriota, também afirmou que o Irã seria certamente tema das conversas entre Obama e Dilma, mas não foi tão otimista quanto seus colegas norte-americanos. Apesar de ter dito que as negociações sobre o país do oriente médio deverão prosseguir ''em novas bases'', já que há um impasse, Patriota criticou a reação dos Estados Unidos à tentativa de Brasil e Turquia, no ano passado, de fecharem um acordo com o Irã.
De acordo com o chanceler, aquela foi uma ''oportunidade perdida''. ''As propostas feitas não eram do Brasil, mas dos Estados Unidos e da Agência Internacional de Energia Atômica'', disse. ''As sanções adicionais adotadas em 2010 não contribuíram até agora para que houvesse qualquer concessão do governo iraniano. Foi uma oportunidade perdida''.
Poucas horas antes de seu encontro com a secretária de Estado, Hillary Clinton, em fevereiro passado, o chanceler Antônio Patriota reiterou ao Estado o apoio brasileiro ao programa do Irã de enriquecimento de urânio a 20% para fins pacíficos. Alegou ser esse um direito consistente com as normas do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Porém, o Irã foi proibido pelo próprio de Conselho de Segurança de enriquecer o metal nesse nível, dada a suspeita de seu interesse na fabricação de armas nucleares.
Para Patriota será possível também iniciar uma negociação com o Irã, com base no acordo de Teerã, assinado pelos governos brasileiro, turco e iraniano em maio do ano passado. O anúncio do acordo provocou os EUA. O voto brasileiro no Conselho de Segurança, por sua vez, prejudicou a relação bilateral e a confiança dos EUA no Brasil na discussão de temas políticos internacionais.


