Rio de Janeiro - O presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB-MG), disse ontem que o PSDB não deve descartar um eventual apoio do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), nas eleições presidenciais. ‘‘Se o governador Itamar Franco estende a mão e se dispõe, eventualmente, a trazer apoio à candidatura do ministro José Serra, isso tem que ser visto de forma positiva. A política é a arte de somar, não de diminuir ou dividir’’, disse Aécio.
As declarações do deputado tentam contornar uma nova crise regional entre os tucanos. O ex-governador de Minas Eduardo Azeredo, que pode disputar novamente o governo pelo PSDB, criticou a aproximação entre Serra e Itamar. Para Azeredo, Itamar faz um péssimo governo e teve sempre um comportamento agressivo em relação ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
Aécio defendeu a aliança ‘‘mais ampla possível’’, mas afirmou que ainda é cedo para se falar em nomes para vice-presidente, cargo para o qual há setores dos tucanos propondo Itamar. ‘‘Não devemos descartar a possibilidade da reedição da atual aliança com a participação, inclusive, do PFL’’, disse.
No entanto, o presidente da Câmara respondeu às declarações da governadora Roseana Sarney (PFL-MA), que afirmou que é ‘‘impraticável alguém com 21% (das intenções de voto nas pesquisas) ser vice de outro com 7%’’, comparando seu próprio desempenho com o de Serra.
‘‘É natural que a governadora Roseana busque consolidar sua candidatura, mas ainda vai correr muita água debaixo dessa ponte’’, afirmou Aécio, para quem ‘‘o PSDB , tradicionalmente, não é partido muito bom de pesquisas mas tem sido muito bom em ganhar eleições’’.

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